Zeferino Teque: faleceu o “doutor dos motores”

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Era pai, amigo, empresário e muito, muito trabalhador. Oliveirense de gema, jornalista colaborador de automóveis de competição e baterista do grupo ‘The Rangers’. Uma descrição longa, mas fiel ao homem dos sete ofícios que será para sempre lembrado em Oliveira de Azeméis.

Ana Filipa Giro

Zeferino Teque faleceu, no dia 24 de agosto, aos 70 anos de uma forma abrupta e que chocou a comunidade que o acompanhava e acarinhava.
Zeferino Teque construiu laços em muitas áreas, desde as profissionais às causas sociais, e deixará, certamente, um legado imortal na sociedade. Guiou a sua vida em função das suas paixões, mas, sobretudo, em prol da sua família. Era um eterno apaixonado por motores e pela adrenalina da velocidade, pelo que nunca abandonou o automobilismo até à hora da sua morte. Percorreu quilómetros a fio ao volante, e, posteriormente, de caneta na mão como colaborador do Correio de Azeméis, e jornalista do Binário, em tudo o que a automóveis dizia respeito. Pelas suas mãos passaram centenas de motores de pilotos conceituados, nacionais e internacionais, dos quais cuidava com brio e responsabilidade na sua oficina, caraterísticas que nunca descurou.
Como se já não bastasse, Zeferino Teque tinha na música outras das suas paixões, digno de um artista dos pés à cabeça. O grupo ‘The Rangers’, que formava com alguns amigos, fazia subir ao palco uma versão irreverente e jovial do ‘“doutor dos motores”, como era carinhosamente apelidado.
‘Tequinho’ era um homem dedicado às causas sociais, tanto no concelho como no resto do país, à sua gente e a todos os projetos em que se envolvia, pelo que lhe foi reconhecido o mérito através do Galardão Dedicação, um prémio que recebeu em 2020 na 5.ª edição da festa do Off-Road, organizada pelo malogrado Rodrigo Vasconcelos e Nena Vasconcelos do Off-Road Portugal.

Nesta tua homenagem pediram-nos para escrever um pequeno texto sobre ti. Tarefa difícil quando para descrever o teu percurso de vida, a edição completa do Correio de Azeméis não seria suficiente. Então, procurámos apenas uma palavra que fosse comum em todas as áreas da tua vida, a palavra paixão. Paixão por nós, tua mulher, filhas, netas e genros a quem dedicaste todo o teu carinho, amor e cuidado. Paixão pelos motores, que desde cedo abraçaste, e cujo profissionalismo foi reconhecido do Minho ao Algarve por todos aqueles que procuravam os serviços técnicos e especializados de Artur Teque & Filho, Lda. Paixão pelo desporto automóvel, que te fez percorrer milhares de quilómetros e que procuraste divulgar e incentivar através da Azeméis FM, Correio de Azeméis e Binário Topo de Gama. Paixão pela música, que iniciaste na juventude, na bateria do grande grupo ‘The Rangers’, e que 40 anos mais tarde permitiu-te realizar um sonho, a gravação de um CD, deixando-nos o exemplo de que nunca devemos desistir dos nossos sonhos. Paixão pelos amigos que foste colecionando ao longo da tua vida. Foste e serás sempre um orgulho e uma referência, querido ‘Zef’, como nós e muitos dos teus amigos carinhosamente te tratavam. Viverás nas nossas recordações e na de todos os que tiveram o privilégio de conviver contigo. E sabemos que, estejas onde estiveres, estarás sempre a olhar por nós!”
Sara Teque, filha

“Falar de um amigo de infância, irmão, confidente – nas boas e más horas –, que cada um de nós viveu ao longo das nossas vidas e após poucos dias da sua partida para junto de Deus, é muito difícil, extremamente difícil. Torna-se um sofrimento que apenas Deus o consegue compreender. (…) Iniciou muito cedo a trabalhar, com o seu pai, o saudoso senhor Artur Teque. Concluído o ciclo preparatório, continuou os seus brilhantes estudos como aluno noturno, que o completou com elevado mérito. Conheceu a Irene, a sua única namorada, em 1967, com quem viria a casar e dar-lhe três bonitas e encantadoras meninas: a Sandra, a Sara e a Sabina. Mais tarde, dando-lhe quatro netinhas encantadoras. Acompanhei sempre a felicidade reinante naquele lar, sendo o seu convidado para qualquer festa no seu espaço familiar. Uma união difícil de explicar. Ainda muito jovens, formámos o conjunto de música folclórica o ‘Estrela Azul’, com o Sílvio Silva, António Amorim e o David Santos. Já com a idade dos nossos 15 anitos formámos o lendário conjunto Académico ‘The Rangers’, que duraria quatro anos até ingressar no serviço militar obrigatório. (…) Acompanhei o Zeferino na sua atividade de jornalista. Tendo fundado dois jornais especializados em desporto automóvel, o Binário e Topo de Gama, além de ser locutor especializado, em duas rádios locais — uma em Oliveira de Azeméis e, a outra, em Santa Maria da Feira. (…) Especializou-se em motores de competição e conhecido por ‘génio’ na preparação de automóveis desportivos. Granjeou o respeito por todos os pilotos, mecânicos e outros preparadores. Conheceu o estrangeiro e muitos motores saídos daquelas mãos, eram autênticas obras-primas e muito reconhecido por muitos pilotos internacionais, alguns campeões do Mundo. (… ) Vivíamos um final de vida, cheios de alegria e sem receios do futuro. Até que um dia, caí num hospital com um cancro, que ainda hoje o vigio. Foram seis anos de espera do veredito final. (…) Todos foram encantadores, lembro e jamais esquecerei o Elísio Guilherme, o Zeferino, o Daniel e os restantes, quando o seu trabalho o permitia. De seguida apareceu uma doença gravíssima ao Elísio, que hoje a trata e com sucesso com a ajuda de Deus. Finalmente, o Zeferino Teque, ele que era o mais forte de todos e o mais valente. Surgiu-nos com problemas que não imaginávamos que fossem tão graves. Efetuou várias viagens desde a residência ao IPO, e vice-versa, durante cerca de um ano e sempre acompanhado pela sua filha Sara. A heroína e, algumas vezes, a minha pessoa, que fazia a ponte entre os médicos e um grande amigo que nos ajudou muito: o Dr. Artur Lima Bastos, um médico que estudou em Oliveira de Azeméis e nosso amigo de adolescência. (…) No dia da sua morte, a Sara telefonou-me dando a terrível notícia que o seu pai tinha partido para junto de Deus e dos seus pais. Chorei muito – os homens bons também choram. Partiu prematuramente um irmão, um verdadeiro irmão que me deixou para sempre. Diariamente, as minhas orações vão para todos os que sofrem deste terrível mal, para o meu irmão Zef, para meus pais e os dele.
Carlos Flores, colega da banda

“Um grande senhor, uma pessoa bem-disposta que gostava muito de conversar sobre automóveis e música. Um grande baterista com muita energia sempre a irradiar boa disposição. Quanto aos motores, o Sr. Teque era universalmente conhecido e reconhecido pela grande família do desporto automóvel. Também colaborava com a comunicação social e gostava de dar notícias sobre as mais diversas competições motorizadas. Os meus sentidos pêsames a todos os familiares e amigos sem esquecer também os ‘The Rangers’, que estão de luto pela perda de um enorme entusiasta do grupo. Oliveira de Azeméis fica mais pobre”.
Hermínio Loureiro, amigo

“Estou grato ao Zeferino pela fiel amizade que mantivemos, pelos ensinamentos na área automóvel que recebi e pelas pessoas que conheci através dele. Foi uma honra partilhar a sua paixão pela competição nas provas, na escrita e nos convívios que fizemos. Fomos um binário transmutador de informação motorizada no distrito.
Paulo Pinho, colega no Correio de Azeméis, AZFM e Binário

“Não é difícil falar do Zeferino Teque. Sempre o conheci como um apaixonado pelo desporto automóvel. Era a voz da Azeméis FM que acompanhava as provas desportivas. Com paixão, fundou e foi o primeiro colaborador de suplementos do Correio de Azeméis. Muitos se lembrarão do ‘Binário’. O Zeferino era aquele amigo sempre sorridente, disponível. Um apaixonado pelo que fazia – os motores -, apaixonado pela família. De trato fácil, cordial, sensato. A vida colheu-o cedo demais.
À filha Sara e restante família, as sentidas condolências. Ficam tantas boas memórias”.
EDUARDO COSTA, diretor