Visão de futuro

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Bruno Aragão *

A pandemia interrompeu projetos, condicionou atividades, parou empresas e suspendeu muitas das nossas rotinas. Apesar da diminuição dos números e do aumento da taxa de vacinação, ainda não estamos seguros e, mesmo com total abertura, todo o esforço individual e coletivo que possamos fazer é importante.
Há, no entanto, fenómenos que, mesmo em pandemia, não se suspendem, ainda que ocupem menos espaço na discussão pública e nas redes sociais. Os incêndios florestais, silenciosos no inverno, e o seu período crítico avizinham-se. O que vivemos no ano de 2017 deixou marcas na nossa memória.
Os estudos parecem ser claros. Cerca de 90% dos fogos florestais têm origem em comportamentos humanos, intencionais ou negligentes. Se há incêndios que resultam de mão criminosa, há muitos outros que ocorrem apenas por descuido ou por uma errada percepção de risco. Uma queimada com boa intenção, ou um churrasco em família sem maldade, originam muitas vezes fogos descontroláveis que consomem milhares de hectares de floresta.
É certo que há hoje mais sensibilidade. As próprias autarquias têm vindo a reforçar os meios de prevenção e sensibilização. No concelho continua-se a reforçar a limpeza de caminhos florestais ou caminhos corta-fogo. Há hoje mais pontos de água espalhados pelo território em resultado de mais construção de rede de abastecimento água. Está em funções um Coordenador Municipal de Proteção Civil e uma estrutura municipal que se começa a desenvolver e a consolidar. O futuro Centro Municipal da Proteção Civil, na Casa das Heras, é disso bom exemplo. Esta era mais uma das áreas onde estávamos profundamente atrasados.
Não tenhamos, porém, ilusões. As estruturas locais ou nacionais são muito importantes, mas nunca se substituirão ao comportamento e aos cuidados de cada de um de nós. São respostas que se complementam e são ambas fundamentais. Façamos a nossa parte.

* Presidente da Comissão Política do PS