Visão de futuro

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Bruno Aragão *

Passam 47 anos da Revolução de Abril. Começam a ser mais os portugueses que nasceram depois de 74 e para quem a democracia parece um dado adquirido. Mas nunca o é. A recente sondagem do Expresso-SIC mostra isso mesmo. Apesar de praticamente ninguém colocar em causa a natureza democrática do nosso regime (apenas 4%), há muitos portugueses que sentem, em maior ou menor grau, que a nossa democracia não é perfeita, que tem vícios e defeitos que devemos corrigir.
Dificilmente haverá uma democracia perfeita, aqui ou em qualquer parte do mundo, mas esse tem de ser o nosso compromisso constante, sobretudo no exercício de cargos públicos. Podemos ter opções diferentes, fazer escolhas diferentes, tomar decisões com as quais nem todos concordam, podemos até errar em algumas dessas decisões. Mas a seriedade e a transparência com o que fazemos, a consciência de ser a decisão que nos parece mais acertada e, acima de tudo, um verdadeiro espírito de entrega à causa pública têm que nos correr no sangue.
Foi este o espírito que trouxemos para este mandato. Um forte sentido de causa pública e, sobretudo, de imenso respeito pelas escolhas das pessoas. Foi por isso mesmo que, pela primeira vez, qualquer que tenha sido a sua escolha democrática, todas as juntas de freguesia foram olhadas da mesma forma, tratadas com o mesmo apreço e merecedoras de investimentos que não olham a cores partidárias. E quem viveu mandatos anteriores, quem combateu práticas erradas, quem tentou lutar contra essa forma errada de fazer política, quem viu serem desrespeitados cidadãos eleitos, quem percebeu as consequências de se denunciar essas práticas, só pode reconhecer como Abril aconteceu neste mandato.
E se hoje o podemos dizer, é porque a democracia também nos trouxe esta liberdade: a de podermos falar sem desassombro, mas com elegância. Pela liberdade que nos corre na alma. Pelo concelho que estamos a construir e que sempre dissemos ser possível.

* Presidente da ‘concelhia’ do PS