Visão de futuro

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Bruno Aragão *

A Linha do Vouga está há anos e anos abandonada e, pior, esteve sem qualquer perspetiva de requalificação. Mas, mais uma vez, vejamos:
1. A ferrovia sofreu um forte desinvestimento ao longo dos anos. Portugal tem cerca de 2.500 km de linha em exploração, contra os mais de 3500 kms que tinha em 1974.
2. Várias linhas foram sendo sucessivamente encerradas e outras, como a Linha do Vouga, esquecidas. E, por isso, chegaram a um profundo estado de degradação.
3. Na última legislatura, o Governo colocou definitivamente a ferrovia nos planos de investimentos.
4. Nesta legislatura, inscreveu decisivamente a Linha do Vouga e deu-lhe dotação orçamental.
5. O investimento em manutenção, de cerca de 2,6 milhões de euros, que decorrerá este ano, é um passo de gigante para a conservação da Linha.
6. Este investimento não substitui o investimento bastante mais avultado previsto na Ferrovia 2030, mas mostra determinadamente que a Linha do Vouga é uma prioridade.
7. O forte envolvimento das autarquias e da Associação de Municípios de Terra de Santa Maria foi, nestes últimos três anos, absolutamente determinante.
8. A requalificação da antiga estação de Cucujães para a instalação de um Albergue de Peregrinos, um projeto da Câmara Municipal, é mais um exemplo da dinamização que queremos para esta linha.
É estranho, por isso, propor agora a criação de um grupo de trabalho quando as coisas estão finalmente a acontecer. É como aparecer no final do trabalho a oferecer ajuda e dizer que não se conseguiu chegar mais cedo. Não serve para nada, mas cria ruido. Seria o mesmo que eu dizer que a Sra. Vereadora que propôs o grupo de trabalho era deputada durante o único governo (PSD/CDS) que propôs o encerramento da linha do Vouga. Seria também só para criar ruido. Percebo que as eleições autárquicas justifiquem algumas coisas, mas mantenhamo-nos unidos em coisas que nunca nos separaram. É mais saudável e, sobretudo, mais útil.

* Presidente da Comissão Política concelhia do PS