Visão de futuro

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Bruno Aragão *

 

Achar que está tudo mal ou que está tudo bem é a posição de quem não quer discutir coisa nenhuma. São posições fáceis que só exigem a repetição exaustiva de uma mensagem simplista. Em 2017 estava tudo bem. Agora anda tudo mal. É o que alguns tentam com a discussão sobre o saldo de gerência do Município. Vamos por pontos.
1. Primeiro falamos em saldo e não em dívidas. Que grande diferença, mesmo quando se pagou neste mandato um terço do empréstimo do Plano de Saneamento Financeiro. É a boa gestão e dou um exemplo simples: a introdução de um sistema de recirculação de água na rotunda do Rainha permitiu poupar de mais 200 mil euros até agora. Apenas um exemplo, mas há muitos.
2. Segundo falamos de saldo comprometido, não de lucro. Se o Caracas está em obras, é preciso dinheiro para pagar. Se o Mercado ou o Forúm Municipal entram em obras, é preciso dinheiro para pagar. Se a N1 está a ser requalificada, é preciso dinheiro para pagar. Ou a Rua do Mosteiro, ou a retira do amianto das escolas, ou a continuação da sua requalificação, ou o Parque Urbano, ou a requalificação das pontes. Ou as importantes medidas de apoio social e económico por causa da pandemia. Só são reais se houver capacidade financeira. Se assim não fosse seriam apenas intenções, mas estão mesmo a acontecer.
3. Em terceiro lugar, os senhores que dizem que isto é eleitoralismo ainda não perceberam que são necessidades reais do concelho que poderiam e deveriam estar resolvidas há anos. Compreende-se. Se estava tudo bem, para quê fazer tudo isto?
Nunca esteve tudo bem e está ainda longe de ficar. Há um enorme trabalho pela frente. E como se faz? Da única forma possível. Primeiro criar os projetos que não existiam. Depois ter dinheiro para esses projetos. Depois fazer concursos públicos com transparência. Depois iniciar a execução. Demora tempo de facto. Tudo o mais, como cantava o Fernando Tordo na Tourada, são tretas.

* Presidente da CPC do PS