Visão de futuro

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Bruno Aragão *

Decidi escrever este artigo e peço a todos desculpa por sentir ser meu dever, mais uma vez, fazê-lo.
Escrevo-o quinta-feira, 28 de janeiro, no dia em que sabemos terem falecido mais de 300 pessoas por Covid. Neste momento, a maioria dos concelhos está em risco extremo. Não há qualquer padrão ou distinção. Lá fora, muitos países enfrentam dificuldades. Somos um dos países em pior situação, mas já o foram outros ao longo deste tempo. Também aqui não tem havido padrão ou distinção. Escolas encerradas pela Europa, professores em esforço, profissionais de saúde cansados, mas resilientes. Empresas a tentar por tudo aguentar, mais pessoas desempregadas ou com receio de o ficarem.
E no meio deste esforço de todos há um dirigente local que insiste, há mais de dez meses, em fazer deste um problema local e culpar uma Câmara Municipal?
Exmo. Sr. Líder do PSD Local, pode achar que as muitas medidas de emergência não fazem sentido ou são escassas. Pode insistir em ler no relatório do Tribunal de Contas o que ele não diz. Pode achar que a grande redução do IMI não alivia as famílias. Que suspender tarifários também não. Pode evitar falar da concessão da rede de água e saneamento cujo peso se sente. Pode achar que recuperar a rede viária não faz sentido, nem os inúmeros investimentos em curso. Pode manter o silêncio sobre os milhões que temos vindo a pagar em condenações. Pode falar como se não tivessem estado 40 anos no poder. Podem falar como se o PS não estivesse há menos de três anos e meio, quase um em pandemia. Pode fazer isto tudo. É uma legítima opção política sua. O que não deve, não deve mesmo, é continuar a transformar esta pandemia num problema deste concelho. Compreendo que talvez seja mais fácil e tentador, mas além de ser injusto com todos os oliveirenses, é profundamente errado. Devemos ficar em casa não por ser o que nos resta, como disse, mas por ser mesmo o que temos de fazer. Espero que o consiga perceber.

* Presidente da Comissão Política Concelhia do PS