Eduardo Costa *

Fui dos que não lamentou a limitação imposta pelo Reino Unido aos seus cidadãos que viajam de Portugal. Na prática, a restrição limita o turista inglês. Vi o nosso governo a protestar contra a decisão dos britânicos de nos colocar na lista negra. Vi a preocupação dos empresários hoteleiros, sobretudo do Algarve. Desagradável para o turismo. Mas, muito pior, se por causa da receita turística voltarem os confinamentos.
No Natal abrimos a exceção. Foi bom para o turismo, sobretudo com os ingleses. Mas depois foi o que se viu. O vírus não regressa a casa com os turistas. Fica cá a infetar e a matar.
Aprendida a lição, por muito que nos custe, há que não facilitar. Não podemos ser o país relaxado da Europa. Depois vem a senhora Merkel puxar as orelhas. Com razão?
Diz-me um amigo do Brasil que tenciona vir cá no nosso verão. Alertei-o de que tem que fazer isolamento profilático. “Há dezenas de amigos que foram para aí e nenhum teve que cumprir quarentena!” Já sabemos. O controlo não é eficiente. Não é também possível ter um polícia para cada caso. Complicados tempos.
Havia uma certa certeza de que a vacina imunizava. Afinal não é bem assim. Há novas variantes que estas vacinas não dominam. De certo modo é uma quebra de entusiasmo na solução em que acreditávamos. Todos vacinados estaríamos seguros. Não é assim. Que raio de “bicho” este, agressivo e cansativo. Vamos continuar a ter juízo. Mesmo vacinados.

* jornalista, presidente da Associação Nacional da Imprensa Regional