A exposição ‘Projetar Oliveira de Azeméis’, composta por projetos elaborados pelos alunos da Faculdade de Arquitetura da Universidade do Porto (FAUP), esteve em exibição na Biblioteca Municipal Ferreira de Castro. Em entrevista à Azeméis TV/FM, os alunos da iniciativa ‘Projetar Oliveira de Azeméis’ descreveram a evolução, a transformação e os desafios urbanísticos que os estudantes da FAUP propõem para a cidade de Oliveira de Azeméis.
“Como oliveirense, foi com regozijo que vi esta sincronia entre o interesse do presidente da Câmara [Joaquim Jorge] e o nosso exercício da Faculdade de Arquitetura”
Luís Pedro Silva,
arquiteto oliveirense

“É interessante coordenar esta oportunidade de estabelecer uma ligação entre um território real e um trabalho que permite aos estudantes progredirem e estarem mais sensíveis às questões que o território nos coloca”
Teresa Cálix, coordenadora do projeto

“Apesar de estarmos presentes na condução dos trabalhos enquanto professores, as autorias são dos 19 grupos que estiveram a trabalhar no terreno”
Mário Mesquita, professor

“O facto de o trabalho ter sido desenvolvido em equipa favoreceu o debate das temáticas neste exercício, o que acabou por originar boas ideias”
Rui Mealha, professor

Oliveira de Azeméis entre o rio Ul e Antuã e a barreira da IC2
“Seguindo o propósito dos rios, percebemos que a periferia estava desconexa e interessamo-nos pela frente natural e ecológica. Criamos uma rede hidrográfica com circuitos de mobilidade e fizemos uma conexão através deste património hidrográfico. Não tínhamos interesse em construir mais; queríamos dar voz aos estabelecimentos existentes”
Inês Álvaro, aluna

“Tentamos perceber as barreiras que existiam que não permitiam a conexão de um lado da cidade com a outra e, assim, aproveitar a parte ecológica. Criamos um ‘corredor verde’ ao longo do território, incluindo a mobilidade, para tentar que as pessoas pudessem aproveitar o território a nível pedonal e não tanto a nível rodoviário”
Maria Alejandra, aluna
“Tentamos criar espaços verdes e equipamentos culturais e de lazer que fizessem com que a população quisesse ficar em Oliveira de Azeméis. Tentamos também criar uma linha de metro que percorresse o próprio ‘corredor verde’ para que houvesse uma interligação de todo o território em si”
Diana Maudslay, aluna

“Temos intervenções a nível regional: o caso dos rios, algo que é contínuo e que não acaba em Oliveira de Azeméis, a intervenção na linha do Vouga e a associação de um espaço museológico para essa linha e para a estação que possa dar a conhecer a história inerente ao comboio. A nossa proposta passa por uma rede cultural, artística e económica que conecta todos estes núcleos”
Maria Castro, aluna

“Proponho a ampliação do parque de La Salette na encosta nascente, recuperando um contacto com o rio Antuã numa zona que passa despercebida e dominada por vegetação invasora. Também de forma provocadora, proponho a nacional 224 ficar em túnel e que toda a encosta do parque vá até ao rio, criando uma espécie de parque fluvial junto às margens”
Eliana Santos, aluna

“O objetivo passaria por criar, por exemplo, um parque de atletismo público, uma vez que a zona sul está pouco urbanizada. A nossa proposta seria consolidar este espaço desportivo e com o passar do tempo, daqui a 20 anos, aquele local estaria estruturado e poderia ser convertido num estádio municipal”
Pedro Soares, aluno

“Identificamos a presença industrial e, aliada a esta, parte de uma estrutura importantíssima que está abandonada: a linha do Vouga. Partimos das estações e pretendemos ligar a cidade de Oliveira de Azeméis que está dividida em duas: a parte nascente e a parte poente”
Hélder Dias, aluno

Os problemas no território e a criação de relações entre instituições num novo espaço público
“A nossa proposta, além da expansão dos espaços verdes e do espaço público da cidade, passou por criar laços com associações existentes e criar programas culturais que se estendessem ao longo do ano. Isto vem de encontro à fixação de pessoas, de forma a que estas encontrem na cidade esta rede”
Nuno Delgado, aluno

“A cidade tem que ser vivida como um todo. Fiquei com a zona sul – a zona do desporto – e uma das nossas propostas era a relocalização do estádio Carlos Osório para essa zona sul; muita gente diz que é utópico e aceita-se, mas a proposta aqui foi a preparação dessa zona para que a médio-longo prazo possa receber o estádio”
Gonçalo Guimarães, aluno

“A falta de equipamentos faz com que as pessoas procurem outros territórios; devemos ver isto como uma força, porque Oliveira de Azeméis tem outros aspetos atrativos – como os espaços verdes – e, mesmo que as pessoas se desloquem até outros locais, o concelho tem outras coisas para oferecer”
Marco Rosa, aluno

Mobilidade, Movimento e Multidão: o entendimento da mobilidade
“Com a mobilidade, queríamos não só facilitar o deslocamento das pessoas mas também levar às pessoas a saúde, a cultura e a sustentabilidade. Para isso, trabalhamos linhas de transporte, da mobilidade suave e da linha férrea desativada”
Rita Almeida, aluna

Repensar o território a partir da indústria e da infraestruturação
“Demos conta de uma presença forte do setor industrial e questionamo-nos quais seriam as condições de saneamento. Chegamos rapidamente à conclusão que são precárias. Há uma grande ocorrência de descargas ilegais nos leitos dos rios e estas questões são fundamentais porque não se tratam apenas de questões urbanas, mas de saúde pública e ambiental”
Joana Lascasas, aluna

“Há várias cidades no norte do país que se assemelham a Oliveira de Azeméis. Diria que é uma cidade que não evoluiu o suficiente em relação ao século XXI. A cidade estagnou e diria que houve, a certa altura, um défice de planeamento urbano, o que poderá ter motivado essa estagnação”
Judite Fernandes, aluna

“Apresentamos uma resposta alternativa ao transporte privado; a acessibilidade, onde notamos que muitas ruas não estão pavimentadas; o espaço público, em que verificamos que não há muito espaço público coeso; o edificado, uma vez que ainda há muitos edifícios abandonados; a habitação, uma vez que a procura é superior à oferta; o emprego, que não consegue fixar os empregadores à própria cidade”
Joana Ceia, aluna

“Procuramos articular a zona do centro empresarial com a nova zona a norte – da universidade e da escola secundária – e, por outro lado, conectar também com a zona existente e mais desenvolvida da zona do centro histórico”
Inês Fernandes, aluna

Grupo propõe centro de transportes na zona sul da cidade
“Falta a resposta do município às necessidades da população no que diz respeito à mobilidade. Focamo-nos na linha férrea, não só para a população, mas na questão da indústria das mercadorias. A mobilidade seria um ponto de partida para, futuramente, resolver todos os outros problemas. Falamos da cultura, da habitação e do saneamento e sabemos que o urbanismo é uma engrenagem, em que todas as rodas devem estar oleadas. Há muitos movimentos pendulares no município e a população residente tem a necessidade de usufruir de cultura e de outros espaços fora do município. A solução seria fixar a população mas dar condições para melhorar essas deslocações. O automóvel cria uma imagem caótica no centro da cidade e há conflito com o peão e com o espaço público. Propúnhamos um Centro Intermodal na zona mais a sul da cidade, que permitia o transbordo entre linha férrea, autocarros e ‘corredores verdes’ e, ao mesmo tempo, dinamizava uma zona que está a expandir-se mas que está aquém do centro da cidade”
Ana Alago, aluna