“Preocupa-nos as angústias dos comerciantes”

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A mudança provisória dos comerciantes do Mercado Municipal para o parque subterrâneo do Intermarché provocou uma discussão acesa em reunião de Câmara, com os vereadores do PSD a questionarem o executivo camarário devido à “falta de centralidade” do local escolhido e sobre o facto de os comerciantes “não terem sido consultados” sobre esta decisão.

Para os vereadores da oposição, há questões preocupantes sobre a mudança provisória dos feirantes do Mercado Municipal para o parque subterrâneo do Intermarché, prevista para este mês. “Não há nenhum transporte coletivo até lá e as sinergias vão deixar de existir; quem, no fundo, vai beneficiar com isto é o Intermarché”, afirmou José Campos, do PSD. “Preocupa-nos as angústias dos comerciantes; desde logo, o facto de não terem sido ouvidos por esta solução encontrada”, acrescentou. O vereador Ricardo Tavares, também da oposição, considerou que os feirantes “não concordariam” em ir para um espaço que vende os mesmos produtos “com outros preços e condições”.
Segundo o presidente da Câmara Municipal, Joaquim Jorge, há um licenciamento em curso na Praça Abílio Campos – uma das alternativas – que “dificilmente” permitiria o funcionamento do Mercado Municipal naquele local. “O Continente e o Pingo Doce não têm parque subterrâneo disponível, uma vez que os seus clientes utilizam-no. Já o Intermarché tem um parque subterrâneo desocupado há vários anos”, explicou o edil. “Fará sentido discutir com os comerciantes a organização do espaço. Estamos perante uma situação em que as pessoas estão melhores em termos de estacionamento do que no atual Mercado Municipal”, realçou.
Em relação às sinergias entre o Mercado Municipal e o Intermarché, Joaquim Jorge não concorda com a visão dos vereadores do PSD. “Os clientes da grande superfície poderão ser induzidos para o Mercado Municipal”, comentou. A requalificação do Mercado Municipal está prevista para junho e Joaquim Jorge adiantou que a intenção do executivo, depois da obra pronta, é ter um mercado mais vocacionado para os frescos.

Em reunião de Câmara, a vereadora do PSD Carla Rodrigues declarou que a Associação Comercial dos Concelhos de Oliveira de Azeméis e de Vale de Cambra “merecia outro olhar” por parte do executivo camarário. Entre esta chamada de atenção e as questões de Ricardo Tavares sobre o Mercado Municipal, gerou-se uma ‘troca de ideias’ entre os vereadores e o edil oliveirense.

“A Associação Comercial nunca recebeu da Câmara Municipal as medidas [de apoio ao comércio] aprovadas. Merece respeito e consideração pelo trabalho que tem feito ao longo dos anos”.
Carla Rodrigues,
vereadora (PSD)

“As medidas apresentadas não têm de ser legitimadas pela Associação Comercial, mas sim pelo executivo camarário. A Associação Comercial precisa de outro olhar e está a ter esse apoio, que nunca aconteceu no passado”.
Joaquim Jorge, presidente da Câmara Municipal

“Não represento a Associação Comercial, mas todos os oliveirenses; é nessa qualidade que trago aqui o assunto. Se queremos uma opinião desta associação, devemos pedi-la”.
Carla Rodrigues,
vereadora (PSD)

(…)
“O executivo tomou uma decisão antes de falar com os operadores do Mercado Municipal e os seus utilizadores. Se tivesse auscultado esses operadores, seria mais fácil obter esse ‘feedback’”.
Ricardo Tavares,
vereador (PSD)

“Os dois vereadores a dizer que eu faltei à verdade… Estamos em campanha eleitoral, de facto. Repudio essa leitura de que as associações não são consideradas. Se a Associação Comercial não vê a relação com a Câmara como nós a vemos, só tem de falar connosco”.
Joaquim Jorge, presidente da Câmara Municipal

“Se estivéssemos em campanha eleitoral, teríamos reunido com a comunicação social e dado informações. Ouvimos as pessoas numa reunião privada e falamos neste local, que é o próprio”.
Carla Rodrigues,
vereadora (PSD)

“Não finjo relacionamentos com instituições. Passar esta mensagem para os oliveirenses de que não reunimos com as associações é errado”
Joaquim Jorge, presidente da Câmara Municipal