Pesados no centro da cidade é uma contradição

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O novo mercado e a localização do Centro Coordenador de Transportes foram temas em discussão na tertúlia ‘Devolver a cidade às pessoas’, dinamizada pela Azeméis TV/FM, no passado dia 23 de julho. A conversa, moderada pelo jornalista Eduardo Costa, contou com a presença dos arquitetos Ana Isabel Costa e Silva, Luís Pedro Silva, do engenheiro Marcus Shlickmann da OPT, de Carlos Silva e Armindo Nunes, ex-presidentes de junta, e Helena Terra, advogada e colunista no Correio de Azeméis.

A ‘contradição’ em colocar pesados no centro da cidade
“É um pouco contraditório, tentar tirar pesados de um lado e incentivar a circulação de pesados de passageiros. A localização não é a melhor, mas tem questão dos terrenos e as condicionantes do projeto. Talvez essas opções tenham pesado mais na escolha. Do meu conhecimento, as estações de camionagem devem estar próximas da cidade, mas não devem estar dentro dos centros”.
Eng. Marcus Shlickmann, (OPT, Forum da adritem)

A necessidade em “introduzir” vida na cidade
“De facto, nem estou a ver bem a amplitude de um centro coordenador de transportes pela dimensão do edifício em particular e depois aquilo que pode ser um contrassenso que pode levar a um ponto já limitado do ponto de vista das manobras rodoviárias. Tenho alguma dificuldade em falar sobre este aspeto, partilho de alguma dificuldade de entendimento. Queremos introduzir vida na cidade e procurar dar-lhe dinâmica”.
Arquiteto Luís Pedro Silva (O. Azeméis), docente da FAUP e orientador do trabalho ‘Projetar Oliveira de Azeméis’

O “estilhaçar” da cidade com esta decisão
“A questão da decisão está sempre ancorada à disponibilidade de fundos e isto tem sido corrente no nosso município. Tudo tem patrocinado este estilhaçar da cidade. Este é mais um caso na nossa cidade em que há disponibilidade financeira e quem está à frente decide perante essa disponibilidade e não com a visão estratégica. Acho que o mercado está encravado entre dois arruamentos com uma inclinação bastante acentuada, o que vai dificultar a manobra de autocarros. Vai ser um pouco difícil gerir o quotidiano daquele fluxo que vai ser ainda bastante forte”.
Arquiteta Ana Isabel Costa e Silva (O. Azeméis)

Preservar o centro urbano
“Nós não somos uma grande cidade europeia, somos uma cidade pequena com ambição de crescer mas, acima de tudo, temos que ter infraestruturas adequadas à nossa dimensão. Este equipamento é precisamente o contrário que vemos a ser praticado nas outras cidades, que é preservar o centro urbano. Até deixaria aqui à discussão, que talvez seria o local ideal para o fórum municipal e não tanto para o mercado. É na partilha de conhecimentos que encontramos as melhores soluções. O que eu espero é que os próximos decisores tenham a mesma capacidade e humildade de reconhecer isso e, aí sim, talvez tenhamos uma cidade melhor”.
Carlos Silva, ex-presidente da UF de Oliveira de Azeméis

Centro de transportes “não parece adequado”
“Podíamos aproveitar o ‘coração’ da cidade para colocar uma praça com dimensão adequada, que desse uma dinâmica nova àquele ponto da cidade. Apesar daquele edifício continuar dedicado ao mercado municipal, instalar ali uma estrutura como um centro intermodal de transportes, que vai fazer circular no ‘coração’ da cidade trânsito pesado, não me parece adequado. Aproveitar os fundos comunitários, pode levar a decisões precipitadas que acabam por ser prejudiciais para a nossa cidade. O que temos que fazer agora é sermos realistas e arranjar soluções exequíveis e tratar de fazer a cidade mais amigável para o cidadão”.
Armindo Nunes, ex-presidente da UF de Pinheiro da Bemposta, Travanca e Palmaz

“Comprometemos o coração verde da cidade”
“Parece-me que corremos o risco de voltar a limitar as opções de um futuro próximo, numa altura em que falamos limitar o automóvel e devolver o espaço às pessoas, corremos sérios riscos de comprometer essa possibilidade trazendo grande volume de tráfego, e que tráfego!, para aquele que é o coração, que do ponto de vista da cidade seria o que sobra de mínimo do coração verde que temos. Não me parece ser a melhor opção a encontrada para aquele espaço”.
Helena Terra, advogada e
colunista do Correio de Azeméis