Depois da interrupção na temporada passada, a pandemia da Covid-19 voltou a parar os campeonatos não profissionais, pelo menos, durante o passado fim de semana. A maioria dos presidentes dos clubes oliveirenses concordaram com a decisão e pedem uma paragem maior até que a pandemia comece a dar tréguas. Hóquei e basquetebol discordam da interrupção.

O novo coronavírus tem afastado vários jogadores dos treinos e adiado constantemente jogos em todas as modalidades. No último fim de semana, os campeonatos não profissionais estiveram todos parados por imposição do Governo na sequência da limitação de circulação entre diferentes concelhos. A Federação Portuguesa de Futebol foi o primeiro organismo a dar conta da decisão governamental, seguindo-se as federações de basquetebol, patinagem, andebol e voleibol. A paralisação desportiva estendeu-se também aos campeonatos distritais. “As jornadas dos campeonatos distritais de Aveiro de futebol e de futsal são adiadas por uma semana”, divulgou a Associação de Futebol de Aveiro na passada quinta-feira, dois dias depois de ter anunciado manter as competições marcadas para o passado fim de semana.
A maioria dos clubes do concelho de Oliveira de Azeméis não só concordou com a paragem das provas desportivas, como sugerem que a pausa se prolongue por várias semanas, pelo menos até o número de casos começar a diminuir de forma considerável. Numa ronda pelos emblemas oliveirenses foi possível constatar que a maioria regista, ou já registou, casos de Covid-19 nos seus planteis. Alguns estão mesmo sem treinar e todos os elementos estão em quarentena ou em isolamento.

“Só vem provar que tínhamos razão”
Carregosense, Cucujães e Bustelo já tinham defendido, perante a AFA, que os campeonatos distritais não deviam começar enquanto a pandemia provocada pela Covid-19 não tivesse solução. “Esta paragem vem na sequência daquilo que nós queríamos, que era não começarem os campeonatos. Só vem provar que tínhamos razão”, afirmou António Godinho, vice-presidente do Bustelo. “Já se fala em parar dois meses”, adiantou o dirigente, dando conta das “grandes dificuldades” que os clubes atravessam. Com o constante adiamento de jogos, a solução para acertar o calendário pode passar pela realização dos encontros à quarta-feira, algo que o dirigente também contesta. “Se o jogo for longe temos que sair cedo e quem paga aos jogadores para deixarem os seus empregos e nem todos os clubes têm iluminação para jogar à noite”, alertou António Godinho, garantindo que no Bustelo não existe qualquer caso de Covid-19.
No Carregosense, um jogador acusou positivo e outros já fizeram testes e aguardam pelos resultados. Na sequência disto, a Direção do clube já tinha pedido o adiamento do encontro deste fim de semana, mas o mesmo foi recusado. “Não tínhamos conseguido adiar o jogo, porque isso só era possível se tivéssemos os testes positivos para confirmar, mas isso não tem cabimento. Nós só queríamos prevenir”, revelou o presidente José Carlos Duarte, confessando estar “atrapalhado” para pagar os ordenados no plantel em virtude da ausência de adeptos nos jogos. “Em três meses pagámos dois ordenados e nós, dirigentes, temos de meter dinheiro do nosso bolso”, adiantou o dirigente, acrescentando que “não faz sentido haver futebol se não há adeptos”. Quanto à paragem, José Carlos Duarte concorda com a mesma e vai mais longe: “Devia ser mais tempo. Não havendo a vacina, os campeonatos nem deviam ter arrancado este ano”.
Com dois jogadores a acusarem positivo à Covid-19, o plantel do Cucujães encontra-se de quarentena e, na opinião do seu presidente, o campeonato não devia recomeçar. “Esta paragem só vem provar que não havia condições para começar. Primeiro está a saúde”, atirou Rogério Cavaleiro, considerando que fazer jogos à quarta-feira “é só prejuízo para os clubes”.
Apesar de alguns jogadores já terem realizado testes por terem estado em contacto com casos positivos nos locais de trabalho, o plantel do Cesarense não regista qualquer caso de Covid-19 até ao momento. Francisco Azevedo concorda com a paragem dos campeonatos em virtude da limitação da circulação entre concelhos, mas defende que os mesmos devem ser retomados já no próximo fim de semana. “As equipas que têm casos adiam os jogos, mas já está visto que não são os jogos que têm aumentado o número de casos”, referiu o presidente do Cesarense. O clube adquiriu testes rápidos “para prevenção e possíveis despistagens”.

“Mais vale parar do que andar a adiar jogos”
O Campeonato Distrital da 1ª Divisão já estava parado este fim de semana. Contudo, os presidentes estão de acordo com a paragem imposta pelo Governo. O Pinheirense não regista qualquer caso de Covid-19, conforme garantiu o presidente Vítor Costa, mas o mesmo não se passa no S. Roque nem no Macieirense com ambos a confirmarem o primeiro caso positivo na sexta-feira. “Já reportámos o caso à AFA e toda a atividade desportiva (seniores e formação) vai estar parada durante 15 dias”, explicou Pedro Gonçalves, presidente do S. Roque, revelando o quão difícil é preparar os jogos. “Nós nunca temos o plantel completo para treinar e depois jogamos e a seguir voltamos a parar”. “Se continuarem a aumentar os casos mais vale parar do que andar a adiar jogos”, opinou o dirigente, confessando os jogadores já revelam “receios” em treinar e em jogar. O plantel do Macieirense também vai estar de quarentena nos próximos 15 dias. O presidente Filipe Marques não concorda com a paragem dos campeonatos este fim de semana, “uma vez que os jogos não têm público”, mas revela-se preocupado com o futuro. “A segunda vaga está muito próximo e estamos com o cerco muito apertado”, acrescentou o dirigente.

Futsal> CD Cucujães escapa à quarentena
Futsal de Azeméis, PARC e Ossela pararam
Os quatro emblemas de futsal do concelho registam casos de Covid-19 e tanto o Futsal Clube de Azeméis como o Ossela e a PARC têm os planteis de quarentena depois de terem sido detetados casos positivos. Marco Silva defende que “o campeonato nem devia ter começado” e lamenta que esta paragem tenha sido conhecida apenas na véspera do jogo. “Como isto está, acredito que vão haver constantes adiamentos de jogos. Acho que o campeonato devia ser cancelado”, afirmou o presidente do Azeméis. Da mesma opinião partilha José Carlos Rego, que considera que, perante o “caos”, a medida do Governo “já peca por tardia”. “Foi um erro o campeonato ter arrancado, porque não há condições para as equipas treinar e jogar”, acrescentou o líder osselense.
O caso positivo registado no CD Cucujães não obrigou o plantel à quarentena, pois o jogador não tinha estado em contacto com o plantel quando fez o teste à Covid-19. “Está a piorar tanto que eu acho que vão suspender o campeonato. Os jogadores já têm medo de ir aos treinos e aos jogos”, afirmou Fábio França, presidente da equipa cucujanense. Já o presidente da formação pindelense questionou se a paragem de uma semana será suficiente. “Se calhar, o que fazia mais sentido era fazer uma pausa de um mês para reavaliação, sabendo dos constrangimentos que isso pode trazer”, sugeriu André Pinho.

Basquetebol> Hélder Albergaria critica decisão
“Não me revejo nisto”
Hélder Albergaria, presidente da secção de basquetebol da Oliveirense, demonstrou o seu descontentamento em relação à paragem da Liga Placard. “Não me revejo nisto. As regras devem ser transversais. Por que é que há competição nos campeonatos profissionais e não há nos outros?”, questionou o dirigente, lamentando também que a decisão tenha sido conhecida no dia em que a Oliveirense recebia o CAB (sexta-feira). Hélder Albergaria adiantou que os jogadores da Oliveirense são testados, de forma aleatória, todas as semanas e garantiu que não foi detetado nenhum caso positivo no plantel. Entretanto, o jogo diante do CAB foi reagendado para a próxima quinta-feira, no Pavilhão Dr. Salvador Machado.
Aníbal Fernandes, responsável pela equipa de basquetebol da Casa do Benfica de Oliveira de Azeméis, concordou com a paragem, uma vez que também não era permitida a circulação entre concelhos, e até defende uma “paragem mais prolongada” se isso for a solução para a redução dos casos de Covid-19. O plantel não tem casos de Covid-19.

H. Patins> dirigentes falam em dualidade de critérios
Paragem contestada
Os presidentes da Escola Livre de Azeméis e do CD Cucujães revelaram-se contra a paragem dos campeonatos e garantiram que nas suas equipas não há casos de Covid-19. “Achamos estranho como é que no fim de semana anterior houve eventos desportivos com milhares de pessoas e no hóquei os jogos são à porta fechada”, afirmou Milton Soares, presidente dos escolares, considerando que “35 pessoas dentro de um pavilhão não fazia grande diferença”. “É para o bem de todos, mas não se entende a dualidade de critérios”, atirou Milton Soares.
“A paragem não é do nosso agrado porque ainda só fizemos um jogo e já temos dois adiados”, frisou Armindo Brandão, presidente do CD Cucujães. Para o dirigente cucujanense, “o melhor até seria parar dois meses para ver se a situação regulariza”. “Eu não sei se na próxima semana tenho jogadores para jogar”, equacionou Armindo Brandão.
A Direção do hóquei em patins da Oliveirense não se quis pronunciar relativamente ao assunto.