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A derrota em casa do então ‘lanterna vermelha’ acabou por atirar a Oliveirense para a Liga 3 e permitiu à formação da casa festejar a permanência no campeonato profissional graças ao golo de Irobiso ao minuto 75.

Ana Catelas

No jogo que encerrou a época 2020/2021, o empate bastava para a Oliveirense continuar na II Liga, já que beneficiava da vitória do Vizela sobre o Vilafranquense. Numa partida em que ambas as equipas lutavam pela permanência na II Liga, Varzim e Oliveirense foram espreitando o golo, mas a finalização não era a melhor. Logo aos 11’, Agdon rematou perigoso com a bola a ressaltar em Pedro Machado e a bater no poste. A equipa da casa, que teve uma receção calorosa na chegada ao estádio e foi apoiada por centenas de adeptos eufóricos, estava mais perigosa em campo diante de um adversário que teve no seu guarda-redes a principal figura. Perto da meia hora do jogo valeu a grande intervenção de Arthur para negar o golo a Patrick Fernandes. A equipa de Raúl Oliveira procurou responder e foi Ono a rematar perigoso, mas Ricardo não permitiu o golo unionista.
A equipa da casa entrou melhor para a segunda parte e aí deixou mais um aviso com um lance de muito perigo que só não deu golo porque Léo Bahia tirou a bola sobre a linha de golo quando Artur já estava batido.
As oportunidades sucediam-se e do outro lado foi Pedro Machado a cabecear ao poste na sequência de um lançamento de bola longo de Leandro Silva. Mas, na sequência de um canto, aos 75’, Irobiso colocou o Varzim na frente do marcador. A Oliveirense não conseguiu responder com eficácia e jogava já em desespero, acabando por não evitar a queda para a nova competição criada pela Federação Portuguesa de Futebol.

Oliveira pede desculpas aos adeptos
O capitão Oliveira falou na flash interview da Sport TV visivelmente emocionado. “Quero pedir desculpas a todos os oliveirenses. Não era isto que nós queríamos. Não há palavras. Só pedir desculpas a todos os oliveirenses, porque devíamos ter feito mais e eles mereciam que tivéssemos feito mais”, afirmou o médio Oliveira.

Raul Oliveira, treinador: “Sentimo-nos sós”
Também na flash interview da Sport Tv, o técnico Raul Oliveira defendeu que esta foi uma época em que “sofremos muito”. “Houve muitas contrariedades. Em muitos momentos sentimo-nos sós. Pouca gente a acreditar em nós. Conseguimos vir até à última e não merecíamos este desfecho por aquilo que foi a dignidade e a atitude da equipa”, disse o treinador Raúl Oliveira após o final da partida no campo do Varzim.

Adeptos recebem equipa com protestos
Após a derrota no Varzim e a descida de divisão, por volta das 22h30 de sábado, um grupo de cerca de 15 adeptos recebeu o autocarro da Oliveirense, que vinha escoltado pela GNR, com gritos de revolta e cânticos de descontentamento. E só a pronta intervenção dos militares evitou males maiores quando um jogador se aproximou dos adeptos para tirar satisfações.
“Não se admite isto numa equipa com o investimento que teve, os adeptos sempre ao lado da equipa, e hoje estamos aqui a mostrar a nossa revolta”, disse o adepto Alex Martins. Já João Barbosa afirmou que “apenas meia dúzia de jogadores é que sentem a camisola”.
Isto tudo no final de um dia em que nem treinador nem alguém do clube foi à conferência de imprensa. Quatro épocas depois de ter regressado à II Liga, na época 2016/17 e sob a orientação do treinador Pedro Miguel, a equipa voltou a cair de divisão no final de uma época em que foi feita uma verdadeira revolução no plantel.

NÃO NOS REVEMOS NAS PALAVRAS IMPRÓPRIAS DE ADEPTOS
A chegada dos jogadores da Oliveirense ao Estádio Carlos Osório era motivo de reportagem pela Azeméis FM e TV, independentemente do resultado assegurar a manutenção ou ditar a descida de divisão.
No local estavam também uma dezena de adeptos, compreensivelmente tristes e, assim, no quente do momento e em direto, com palavras menos agradáveis para com os dirigentes do clube. Foram recolhidas palavras desapropriadas e grosseiras, e declarações infelizes para com os dirigentes da Oliveirense SAD, com as quais não nos revemos.
Acredito que o sentimento generalizado dos adeptos seja de natural tristeza, mas de compreensão por não ser da responsabilidade dos dirigentes e, muito menos dos jogadores, que a bola tenha entrado na baliza “errada”. Viu-se no relvado o empenho dos jogadores, que lutavam para que o resultado do jogo assegurasse a manutenção. As palavras do capitão Oliveira, referência do clube, onde “nasceu”, acreditamos que escolhido pela SAD para se dirigir aos adeptos na flash intervieu, foram de muita humildade, a pedir desculpas pelo resultado.
EDUARDO COSTA, diretor

Liga 3 arranca com 24 clubes
A Liga 3, organizada pela Federação Portuguesa de Futebol, vai arrancar na próxima temporada e Oliveirense e Vilafranquense, os dois clubes despromovidos da II Liga, vão disputar esta prova no seu ano de estreia. A Liga 3 será, portanto, o novo terceiro escalão do futebol nacional, ficando situada entre a II Liga e o Campeonato de Portugal.
A prova contará com a participação de 24 clubes (22 oriundos do Campeonato de Portugal mais dois que descem da II Liga), divididos para disputar a 1.ª Fase, que será dividida em duas séries: Norte e Sul.
Depois de cumprida esta primeira fase, a Liga 3 irá desdobrar-se na Fase Apuramento de Campeão, onde estarão os primeiros quatro classificados de cada série da 1.ª Fase, e pela Fase Manutenção e Descida, integrada pelas restantes 16 equipas (do 5.º ao 12.º classificados das duas séries da 1.ª Fase).
No que diz respeito à Fase de Apuramento de campeão, os vencedores de cada série sobem à II Liga e vão defrontar-se para determinar o campeão da Liga 3. Já os segundos classificados de cada série vão defrontar-se num playoff. O vencedor desse duelo irá defrontar o antepenúltimo classificado da II Liga, para determinar que equipa irá marcar presença no segundo escalão.
Já na Fase Manutenção e Descida, as equipas serão divididas em quatro séries e terão uma bonificação de pontos. Os 5.ºs classificados da 1.ª Fase transitam com 8 pontos, os 6.ºs iniciam com 7, os 7.ºs com 6 e assim sucessivamente até ao 12.º, que irá arrancar com 1 ponto.
Os últimos classificados de cada uma das séries descem de divisão. Do Campeonato de Portugal irão subir quatro emblemas.
De acordo com um comunicado da FPF, esta nova competição pretende “preparar os clubes para a II Liga, criar espaço de desenvolvimento para jogadores jovens portugueses e promover o equilíbrio financeiro dos clubes. Será um escalão que dará bases ainda mais fortes para a transição para o futebol profissional”.
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