O privilégio de ser mulher portuguesa

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Ana Catelas *

Que privilégio e sorte eu tenho por ter nascido num país como Portugal!
Que sorte tenho por poder fazer e dizer o que quero e bem me apetece e quando me dá na real gana. Sou tão grata por ter estudado e agora exercer a minha profissão, por poder praticar desporto, por entrar livremente num estádio ou num pavilhão desportivo, por ter a liberdade de festejar um golo ou uma vitória ou dizer um palavrão quando me enervo, por vestir a roupa que me apetece, seja uns calções mais curtos ou mais compridos, uma camisola com mangas ou de alças.
Que privilégio é poder fazer coisas que parecem tão simples (e nem pensamos na sua importância) como andar na rua sozinha ou acompanhada com quem eu quero, conduzir o meu carro que me leva para onde eu quero ir, poder falar com qualquer pessoa ou até andar de bicicleta.
Que bom que é ir a festas, convívios, à praia (e usar bikini), a uma esplanada, tirar selfies ou ser fotografada em qualquer lugar e a qualquer momento.
Nem sei a sorte que tenho por poder rir alto em qualquer lugar e a qualquer momento para toda a gente ouvir!
Que privilégio é poder estar agora, ou sempre que me apetece, no Facebook a publicar o que eu quero, usar um telemóvel que é só meu, ou até pintar as unhas com as minhas cores favoritas, nem que seja uma de cada cor.
Que privilégio tenho por poder continuar a sonhar e a realizar sonhos… Enquanto isto, há mulheres, lá longe, que começam a perder a esperança… uma esperança que foram alimentando ao longo das últimas duas décadas!!
Nem sabemos a sorte que temos por viver num país como Portugal! Por sermos mulheres livres!

* jornalista (a propósito do regime de terror dos Talibã sobre as mulheres afegãs)