“O plantel foi formado pela SAD”

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Numa grande entrevista no programa ‘Desporto em Análise’, conduzido por Hermínio Loureiro na Azeméis FM/TV, Pedro Miguel revelou o segredo para uma época de sucesso, os objetivos da Oliveirense e falou dos jogadores que perdeu da última temporada, dos muitos que chegaram ao plantel e das condições de trabalho no clube, que continuam a não existir, segundo o treinador.

Salientando as dificuldades que a equipa vai enfrentar ao longo desta temporada, não só pela revolução implementada no plantel mas também pela ausência de público dos estádios, sobretudo do Estádio Carlos Osório, Pedro Miguel espera uma “evolução rápida” dos 18 jogadores que chegaram esta época à Oliveirense por forma a ter um “coletivo forte” o mais rápido possível. O técnico, que cumpre a sua 13ª época na Oliveirense — a quinta consecutiva —, revelou que o plantel foi formado exclusivamente pelos elementos da SAD e lamentou que a base da equipa da época transata não tenha sido mantida. “O plantel foi formado pelos elementos da SAD e pelo diretor desportivo da altura e a entrada de todos os jogadores foi com o conhecimento deles e nós, equipa técnica, temos que trabalhar esse mesmo plantel”, explicou Pedro Miguel, reconhecendo que “há jogadores com mais qualidade e outros com menos”. O treinador lembrou que, no último campeonato, a equipa já tinha uma base e acabou a época a apresentar um “bom futebol”, o que, nas suas palavras, não está a acontecer neste início de temporada. “Neste momento estamos com dificuldade em praticar esse mesmo futebol, acreditamos que podemos chegar a esse patamar, mas temos noção que é muito difícil chegar lá nesta altura”, admitiu o técnico nascido em Oliveira de Azeméis há 53 anos.
O objetivo passa, à semelhança dos últimos campeonatos, por garantir a permanência o mais rápido possível e Pedro Miguel não descarta já a possibilidade da Oliveirense SAD recorrer ao mercado de inverno, partindo do princípio que não vai perder nenhum jogador nessa altura.
“Por isso não podemos aspirar a muito mais quando houve uma transformação grande dentro da equipa com a entrada de muitos jogadores e a manutenção de poucos e alguns que gostaríamos que tivessem continuado”, admitiu.

O segredo está na planificação da época
Para Pedro Miguel, o sucesso de uma equipa está na planificação da temporada. “Se recrutarmos bem temos grandes hipóteses de ter sucesso na época, se não recrutarmos bem a época pode não correr tão bem”, explicou o treinador, lembrando que não é preciso um plantel extenso, mas sim “dois jogadores por posição em que cada jogador tem que sentir que tem ao lado um colega que é bastante competitivo e se não trabalhar no máximo dificilmente vai jogar”. Daí que Pedro Miguel não entenda que, com tão poucas jornadas disputadas, dois clubes — Varzim e Covilhã — já tenham trocado de treinadores na sequência dos maus resultados obtidos até ao momento. “Há clubes que parecem que são geridos de fora para dentro e as pessoas deixam-se influenciar muito pelo que vem do exterior e, muitas vezes, temos que olhar para dentro para ver o que está mal”, aconselhou o oliveirense, frisando que a solução pode não passar pela troca de treinadores. “Mandar um ou dois jogadores embora às vezes ganha-se uma equipa e o mal não estava no treinador. O balneário é importante e se for unido resolve muita coisa”, referiu o experiente técnico.

“É desmotivante”
“Custa-me ver o futebol sem público quando vemos touradas e espetáculos culturais em pavilhões com pessoas”, opinou Pedro Miguel, defendendo o regresso dos adeptos aos recintos desportivos com os “devidos cuidados”. O técnico considerou “desmotivante” a situação tanto para os seniores, que jogam à porta fechada, como para os jovens da formação por andarem a fazer treinos individuais. “Nos seniores, com o aumento dos casos, tememos que isto possa voltar a parar, mas vamos acreditar que o país não pode voltar a parar”, acrescentou.

“Devemos ser o pior clube”
Pedro Miguel foi dos oliveirenses que, publicamente, mais apelou à remodelação do Estádio Carlos Osório. Concluídas as tão desejadas obras, as condições de trabalho na Oliveirense continuam longe de ser as melhores. “Devemos ser o pior clube em termos de condições de trabalho”, afirmou Pedro Miguel, revelando que a Oliveirense tem treinado no campo de sete do Centro de Formação, nos campos do Pinheirense e do Estarreja.
“A intensidade de um treino em relva natural ou num sintético é diferente e é preciso cuidado com as lesões”, alertou o treinador. “Se a Oliveirense quer evoluir tem, rapidamente, de ter um centro de treinos ou um ou dois campos relvados para poder treinar”, aconselhou Pedro Miguel, referindo que são necessárias melhores condições não só para o plantel sénior, mas também para as equipas de formação.