Vilarinho de São Luís é Aldeia de Portugal

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Registos mais antigos conhecidos são datados do século XV relativos à aldeia

Aldeia foi, dia 12 de novembro, reconhecida oficialmente como Aldeia de Portugal

No passado dia 12 de novembro, Vilarinho de São Luís recebeu oficialmente a distinção de Aldeia de Portugal. Localizada na freguesia de Palmaz, esta distinção atribuída pela ATA (Associação de Turismo de Aldeia), vem assim reconhecer a ruralidade, as tradições, a história e cultura daquele lugar.

No passado dia 12 de novembro, Vilarinho de São Luís recebeu oficialmente a distinção de Aldeia de Portugal. Localizada na freguesia de Palmaz, esta distinção atribuída pela ATA (Associação de Turismo de Aldeia), vem assim reconhecer a ruralidade, as tradições, a história e cultura daquele lugar.

A aldeia de Vilarinho São Luís constitui hoje um espaço relativamente intacto, quando comparamos as mudanças arquitetónicas ocorridas com os demais aglomerados do município. Local algo isolado, onde o protagonismo económico da agricultura lavoura em de um dos seus bens mais preciosos, o milho. Indispensável ao alimento do gado e confeção do pão. Nas encostas em redor domina a monocultura de eucalipto, onde os espigueiros representam também a rusticidade do local.
Em conversa com a professora Almerinda Amaral, presidente da Associação Tradições de S. Luís, o Correio de Azeméis percebeu que a referência mais antiga da aldeia é o próprio São Luís que remonta ao século XV. Mas não é só, na aldeia existe ainda um paramento (veste que os sacerdotes usam para celebrar a missa e outras cerimónias religiosas) classificado como do século XVI, e uma das casas datada como das mais antigas é de 1800.
Localizada no meio de vales a aldeia sempre foi muito rica em água, daí a principal atividade económica ser a agricultura, aliada à criação de gado. “Isto era uma zona muito rica em fruta, como estamos no meio de vales e com muita água, era uma zona de microclima. Muitas pessoas das redondezas vinham aqui buscar muita fruta”, contou ao Correio de Azeméis, Almerinda Amaral.
“Tivemos duas escolas aqui no lugar. Uma delas foi naquela casa referenciada como a mais antiga. Pertencia à família dos Travessa, dois irmãos que eram banqueiros e foram para Lisboa, e a sua casa foi emprestada para ser a escola. Eu ainda me lembro daquela casa ter cortinas bordadas o que naquela altura não era normal”, recordou Almerinda Amaral, ao Correio de Azeméis. 
Com apenas um acesso principal relativamente degradado, o maior transtorno é quando existe alguma emergência “quando temos um acidente ou estamos doentes é mais complicado”, confessando ser a época mais crítica o verão, por causa dos incêndios. “Quando havia fogo juntávamos todos. Tocava o sino da capela, íamos numa carrinha fazer o contrafogo, os bombeiros geralmente colaboravam. Agora deixam arder e não nos deixam ir”, relatou, a presidente da associação, ao Correio de Azeméis.
Uma aldeia caracterizada pela união de todos os seus habitantes, no entanto, “nem sempre tudo é um mar de rosas, na altura da rega no verão é muito engraçado, a água sempre foi um problema. Apesar de existir muita, existe sempre aqueles atritos porque alguém acabou por usar mais que outro, mas depois de acabar essa época os problemas ficam todos resolvidos”, contou Almerinda Amaral, que realça a importância que água tinha naquela aldeia, que em tempos pelo som da cascata, que deixou de existir, os mais antigos já sabiam qual era a previsão do tempo para o dia seguinte.
Atualmente a aldeia continua a tentar preservar as suas tradições, como a rota dos espigueiros, a matança do porco, o fabrico do pão de milho e a promessa de querer passar estes ensinamentos aos mais novos. É o caso de Tiago Pereira, Joana Ferreira e Daniel Silva, jovens na casa dos 25 anos, naturais de Vilarinho de São Luís e os principais responsáveis pela candidatura feita para classificar esta, como uma Aldeia de Portugal. 

“Este momento é o de assinatura do plano de valorização e a carta de compromisso aqui da aldeia de Vilarinho de São Luís, sendo este o último passo para que a aldeia entre na rede de Aldeias de Portugal. Vamos todos aqui comprometermo-nos a fazer tudo de melhor e a trabalhar para que a aldeia de Vilarinho de São Luís fique cada vez melhor e atraia cada vez mais pessoas.”
Ana Valente, técnica das Aldeias de Portugal

“É com muito gosto que aqui estou neste momento que é um marco histórico para esta aldeia. Agradeço todo o trabalho feito pela ADRITEM, que tem sido um parceiro muito importante para o desenvolvimento da aldeia. Agradecer também aos jovens que estiveram envolvidos neste projeto, sem eles não tinha sido possível.”
Susana Mortágua, presidente da UF de Pinheiro da Bemposta, Travanca e Palmaz

 “A câmara municipal é um dos parceiros que consta nesta carta de compromisso. Esta carta dá-nos mais responsabilidades, vamos fazer de tudo para que Vilarinho seja mais conhecido e venha cá mais gente, porque vocês passam-nos o espirito de comunidade como ninguém.”
Rogério Ribeiro, vereador da câmara municipal  

“Foi uma das nossas preocupações e uma das razões pelas quais avançamos com este processo, longo, que vem desde a criação da associação. Felizmente nos últimos meses tivemos a possibilidade de fazer esta candidatura e hoje foi o dia que conseguimos consumar a entrada da aldeia na rede das Aldeias e Portugal. A ideia é mesmo essa, incentivar os jovens, dinamizar a aldeia e mostrar que ainda temos vida.”
Tiago Pereira, habitante da aldeia e um dos promotores da candidatura, à Azeméis TV/FM 

“Vivo cá há 47 anos, tenho mais anos de cá do que de Vale de Cambra, de onde sou natural. Nunca saí de cá, nunca fui para o estrangeiro e vivi sempre cá. Somos bastante unidos, às vezes tem umas pequenas chatices, mas depois passa tudo. Sempre foi uma aldeia de pessoas boas, toda a gente colabora em tudo, como se viu hoje.”
Manuel Tavares, habitante da aldeia há 47 anos, à Azeméis TV/FM 

“Eu fui criado em Vilarinho de São Luís desde os meus cinco anos, porque eu nasci em Pinheiro da Bemposta. Vilarinho de São Luís é um lugar muito especial, apesar de estar muito longe do concelho de Oliveira de Azeméis, é um lugar com muita esperança e muitas atividades.”
Valdemar Almeida, habitante da aldeia desde os cinco anos, à Azeméis TV/FM 

“Casei aqui e comecei a partilhar e a participar em todas as festas e bailaricos que se faziam cá, e isto é uma terra espetacular, em todos os sentidos. Há um dia no ano em que o pessoal se une, que é o dia de São Luís, o pessoal pode andar com chatices, mas chega aquela altura e está tudo pronto para ajudar.”
Arlindo Pinho, residente da aldeia, à Azeméis TV/FM

 

Factos curiosos sobre a população de Vilarinho de São Luís 
Total: 64 habitantes;
Média de idades: 53 anos de idade;
Habitante mais velho tem 94 anos de idade; 
Habitante mais novo tem 4 anos de idade;
Percentagem da população com mais 65 anos de idade: 28%;
Percentagem de habitantes de primeira habitação: 84%;
Percentagem de habitantes de segunda habitação: 10%;
Emigrantes: 6%;

Plano de atividades anual
Festa em honra de São Luís, em agosto

Colheita do milho e desfolhada na eira à moda antiga, em setembro
Evento de vindima e pisar do vinho, em setembro
Oficina de confeção de obra de milho, em outubro
Magusto com castanhas da aldeia, em novembro
Matança do Porco e rojoada à moda de Vilarinho, em dezembro
Leilão de Natal para angariação de fundos, em dezembro

População queixa-se de fracos acessos
Durante a sessão de apresentação da aldeia de Vilarinho de São Luís uma das queixas feitas foi os fracos acessos. Com uma rede de transportes públicos praticamente inexistente, o que causa o transtorno em situações de emergência para aquelas pessoas. Outro dos problemas tem sido a sinalização, as placas que indicam “que estamos a chegar a Vilarinho de São Luís têm mau aspeto e não dá a imagem que queríamos à nossa aldeia”, referiu Tiago Pereira, um dos jovens responsáveis pela candidatura à rede das Aldeias de Portugal.

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