O SNS clama por Socorro

Helena Terra

Helena Terra *

É sábado, dia 04 de novembro do ano em curso. À hora em que escrevo este artigo, está a decorrer mais uma nova ronda de negociações entre o Ministro da Saúde e as estruturas sindicais dos médicos. Esta tem a particularidade de ser “nova”, apesar de ser “mais uma” e da última ter demorado (só) 12 horas. Esta é uma notícia da Televisão Pública Portuguesa. Haja pachorra. Não sei se o problema é dos políticos, dos jornalistas ou de ambos. Um facto tenho como certo, os problemas, muitos, no serviço nacional de saúde.

No fim de semana que hoje começou teremos, no país, 40 hospitais com constrangimentos e doentes, mormente no interior do país, que terão de percorrer 2 horas de viagem para acorrerem a um serviço de urgência. Isto, apesar das autoestradas que tantos criticaram e de estarmos em pleno século XXI.
    Na tarde de ontem, o Senhor Ministro da Saúde disse que, “temos sido capazes de dar plena resposta às necessidades dos doentes e mais, temos, nos últimos dias, mantido o mesmo número de atendimentos”. Tenho uma enorme vontade de perguntar ao Sr. Ministro se, estando a ser dada resposta a todas as necessidades dos doentes, e a ser feito o mesmo número de atendimentos, para que é que ele tem estado em reuniões sucessivas e inconclusivas que chegam a durar 12 horas? A fazer fé nas palavras do Sr. Ministro, apesar de tudo, está tudo bem!
Não. Não está bem. Não há nenhum hospital de referência neste país que não tenha serviços fechados. Nas maternidades que estão fechadas, é possível o recurso a maternidades privadas, disse o Sr. Ministro. Todos, ou mais ou menos, sabemos que se um parto tiver de correr bem, corre bem, numa ambulância (como já correram tantos) ou no meio da rua, onde em tempos idos já muitos correram bem. A questão está em saber quando é que pode correr mal, porque, neste caso, só o hospital central mais próximo tem meios para socorrer uma parturiente e um nascituro ou um nado em estado de aflição.
O nosso primeiro-ministro, tem deixado correr toda a tinta da opinião publicada para cima do ministro da saúde, mas é certo que ninguém se esquece de quem é o primeiro-ministro e quem é que manda no governo da nação. Aliás é o Sr. primeiro-ministro que faz questão de, numas manifestações que mais parecem uma birra ou um capricho, mostrar que é ele, e mais ninguém, que manda no governo e, por isso, escolheu o, ainda, ministro das infraestruturas para encerrar o debate sobre o orçamento de estado para o próximo ano, levando o país a assistir a imagens de comportamentos, em plena casa da democracia, que pouco edificam o exercício da atividade política.
Efetivamente, senhor primeiro-ministro, de quem manda num governo de maioria absoluta, de um partido no qual militou o pai do SNS, Dr. António Arnaut, é esperado mais, muito mais.
Além disso, o senhor primeiro ministro é o mesmo, Dr. António Costa, que é secretário geral do partido que assinou a “certidão de nascimento” do serviço nacional de saúde e que sempre teve neste “seu filho” um enorme orgulho!
 * Advogada
 

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