Em
Correio de Azeméis

30 May 2022

MONTEIRO (“Cabeças”), o goleador

1922-2022 - Centenário do Atlético Clube de Cucujães

Por CARLOS CORREIA

Carlos Correia

Na época 1973/74 brilhou em Cucujães um jogador com uma apetência especial para fazer golos: Monteiro, mais conhecido por “Cabeças”.
Se é comum realçar o facto de um jogador marcar três golos num jogo (o famoso hat-trick), mais será de destacar quando se marca sete golos num jogo, feito raramente alcançado, mas conseguido pelo “Cabeças”. 
Em 10 de Março de 1974, a contar para a 23ª jornada do Campeonato Nacional da III Divisão, Série “B”, o Cucujães recebeu o Covilhã e Benfica e venceu o jogo por 7-1, com sete golos de “Cabeças”. 
Se os setes golos alcançados frente ao Covilhã e Benfica ficaram gravados na memória, outros ainda hoje são recordados, como o golo alcançado na mesma época de 1973/74, frente ao Vilar Formoso, em jogo disputado na vila raiana em 25-11-1973. Após tentar alcançar uma bola que lhe foi metida em profundidade, Cabeças, que nunca dava uma bola por perdida, sai do terreno de jogo pela linha de fundo e aí fica deitado durante alguns segundos. O guarda redes do Vilar Formoso executa o pontapé de baliza passando a bola a um colega de equipa que a devolve novamente àquele, fazendo-o de forma defeituosa, indo a bola parar aos pés do Cabeças, que nesse momento acabara de entrar no terreno de jogo, e com um simples toque coloca a bola no fundo da baliza. Talvez dos golos mais fáceis da sua carreira e dos mais contestados pela equipa adversária.
O árbitro assinala golo para o Cucujães, sendo de imediato rodeado pelos jogadores do Vilar Formoso reclamando fora de jogo do Cabeças. Perante os protestos dos jogadores do Vilar Formoso, o árbitro acaba por anular o golo. É então a vez dos jogadores do Cucujães rodearem o árbitro protestando contra a anulação do golo, uma vez que não poderia haver fora de jogo do Cabeças, considerando que este recebeu a bola do jogador adversário. O árbitro reconsidera a decisão tomada e acaba por validar o golo, o qual haveria por dar a vitória ao Cucujães por 1-0-
Antes de iniciar a sua passagem pelo Cucujães em Março de 1972, já perto do final da época 1971/72, o Cabeças jogava futebol em torneios inter- empresas, representando a Oliva, empresa onde trabalhava. Chega ao Cucujães com 27 anos, depois de ser desafiado por um colega de trabalho, o Abel Simão.
Na primeira época ao serviço do clube, o Cabeças deslocava-se de bicicleta de  Lobão, onde residia, para Cucujães, percorrendo cerca de 20 Km para cada lado, nunca faltando a um treino ou jogo, apesar de iniciar a sua jornada laboral  ás 6 horas da manhã. Nas épocas seguintes substituiu a bicicleta por uma motorizada.
Foram muitos os sacrifícios que o Cabeças fez para representar o clube durante sete anos, mas sempre demonstrando boa disposição no seio da equipa.
Um dia, quando chamado por um diretor para assinar pelo clube, foi-lhe perguntado: “Cabeças, por quantas épocas queres assinar?”. De imediato o Cabeças respondeu: “Se achar que posso jogar até aos 90 anos, assino até aos 90 anos”. Este episódio é revelador do afeto que tinha pelo clube.
Jogou no Cucujães até aos 34 anos de idade, tendo sido alvo de uma merecida festa de homenagem em 7 de Janeiro de 1978, como reconhecimento do esforço dedicado ao clube e pelas alegrias dadas aos cucujanenses.
O “Cabeças” deixou de jogar no Cucujães antes dos noventa anos de idade, mas continua presente na memória dos cucujanenses.
 

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