“Evoluímos bastante, mas não evoluímos tudo”

Cucujães Freguesias

Ficou claro, no debate ‘Olhar o Outro’, organizado pelo NAC na Casa do Torreão, na vila de Cucujães, no sábado, que as discriminações e as desigualdades ainda são evidentes e que “evoluímos bastante, mas não evoluímos tudo”, como referiu Carla Rodrigues, convidada a dar o testemunho, como cidadã, para as desigualdades de género. Carla Rodrigues, também vereadora da Câmara Municipal (PSD) e presidente do Conselho Nacional de Procriação Medicamente Assistida, acredita tratar-se de uma questão cultural que tem como base a educação que muitas vezes começa em casa, “na educação diferente que se dá aos filhos, em função do género”. A oradora fez também referência às desigualdades salariais entre géneros e de acesso de mulheres a cargos de direção e de órgãos de decisão política. “Quem sofre mais é o elo mais fraco de uma sociedade quando a sociedade não é igual”, afirmou ao referir que “é absurdo ter que haver uma lei [da paridade] para permitir lugar às mulheres em cargos políticos” e que, caso a lei deixasse de existir, a situação retrocederia. “É preciso que a lei acelere estes processos e ajude à mudança das mentalidades”, acrescentou. Outro testemunho que também se fez destacar foi o de Álvaro Rocha, o presidente das associações VisitCucujães e do Tepas Teatro, como exemplo de discriminação homossexual. “Passei a deixar de dizer o que sou para dizer quem sou”, sublinhou o jovem, explicando que se trata de uma questão de identidade e que as pessoas têm que ser ensinadas. “Acho infeliz e desumano lidarmos com a homossexualidade como se fosse uma coisa” e de se levar à votação no parlamento “questões como a adoção, a doação de sangue e o casamento”, declarou. Álvaro acredita que se deve falar no tema com o intuito de quebrar a diferença e acabar com a ideia de que “os homossexuais são diferentes, têm que ter leis diferentes e vidas diferentes”. O debate contou ainda com a presença de outros dois testemunhos na primeira parte, o psicólogo Filomeno Pina e o cidadão sírio refugiado Shakir Jawish, como exemplos de discriminação cultural. Desigualdade salarial apontada como o maior problema Na segunda parte, o debate teve a visão de cinco partidos políticos convidados a expor o que tem sido feito para combater estas realidades. Ana Isaura Costa (PCP) acredita que as desigualdades “têm tudo a ver com as desigualdades salariais” e que “são precisas políticas sociais nesse sentido”, defendendo também a criação de uma rede pública de creches e de cuidados para idosos. Tomás Amaral (BE) afirmou que as discriminações “serão muito mais acentuadas [nesta crise sanitária] e os resultados serão muito mais negativos quanto menos proteção social as pessoas tiverem”, nomeadamente com “propostas que melhorem a vida das pessoas, não só a nível relacional, mas também nas relações económicas” que respondam aos problemas dos cidadãos. Bruno Aragão (PS) referiu que “a desigualdade é ainda uma das formas profundas que impedem o desenvolvimento da sociedade” e, quando se tenta passar para políticas, é necessário “materializar e começar a priorizar desigualdades”, explicou. O mesmo adiantou que tem trabalhado na “primeira infância” ao darem “oportunidades e condições de ensino aos jovens e crianças” para quebrar ciclos de desigualdades justificados pela pobreza. Diana Semblano (PSD) comunicou que estas questões estão sempre presentes no partido que trabalhar “pela igualdade de oportunidades e igualdade de género” e, apesar de admitir que “ainda há muito trabalho para fazer” na área social, fez referência ao feito pela JSD em ter eleito, pela primeira vez, uma mulher líder. Clemente Pinto (CDS) reconheceu que há um caminho ainda a percorrer para se igualar estas questões, mas que já é notória uma evolução, tendo mencionado uma das últimas intervenções do Papa Francisco em que este defendeu a comunidade e os direitos homossexuais.

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