Adeus, Jerónimo.

[email protected] - Rui Nelson Dinis

Rui Nelson Dinis *

O Partido Comunista Português (PCP) escolheu um novo líder. Jerónimo de Sousa sairá ao fim de 18 anos. Sem eleições, sem congressos, sem candidaturas, sem listas, maiorias, sem programas.

O processo de seleção, recrutamento e contratação, decorreu de forma silenciosa, burocrática e institucional. Seguir-se-á um exercício de consagração, de contornos formalistas.  Ninguém questiona. A democracia é plena e aparentemente pacífica. Não há rituais, solenidades, cerimónias. Tumultos ou disputas. Não se discutem figuras, não há diretas, primárias ou secundárias. Tudo de forma discreta, sóbria, quase sombria. Ainda que não unânime.

O novo líder não existia, até há horas ou dias atrás. Foi preciso ir apressadamente à Wikipédia, para descobrir quem é o novo líder. A página deve ter sido feita internamente, num centro de trabalho do PCP, com a facilidade típica de fazer a folha de serviço de uma carreira de funcionário da JCP e funcionário do PCP, com um qualquer antecedente que o legitime junto do proletariado. Tudo tão rápido, aliás, que a mesma desapareceu poucas horas depois, por não cumprir as normas de “notoriedade”. Pudera! Quem era Paulo Raimundo? Haverá tempo de juntar agora, aos 30 anos de funcionário partidário, algum tempo inicial, como padeiro e animador social.

Em mais de 45 anos, o PCP resiste assim, entrincheirado, tendo tido apenas três líderes. Ideologicamente robustos (Cunhal, Carvalhas e Jerónimo), convenhamos que Jerónimo foi diferente. Ainda assim, o seu rosto humano, simpático e afetuoso, pouco cedeu ideologicamente, mantendo o PC na profundeza das trincheiras. O PCP será sempre um partido de militantes, não de eleitores. 

Nada sendo mais de acrescentar. Tudo se desconhece. Resta salientar a figura de Jerónimo de Sousa, com a qual quase todos agradamos, mesmo que muito pouco concordemos. E agradecer pelo esforço pela democracia. Será tempo de redescobrir a metalurgia.
 

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