Em
Correio de Azeméis

17 Jan 2023

Adeus Gemini

Helena Terra

Helena Terra *

Vou falar de uma realidade que todos conhecem e de uma história que faz parte da história de várias gerações, nas quais a minha se inclui e que, provavelmente, foi a mais marcada pelos nossos cinemas do Gemini. Primeiro surgiu o Gemini Um e depois o Gemini Dois.

Fui algumas vezes ao cinema ao velho Caracas, mas os cinemas que deixaram história e marcas na minha vida pessoal, foram os cinemas Gemini. Nos anos oitenta muitas foram as tardes e as noites em que o Gemini era o lugar de destino. Algumas aulas, menos interessantes, foram trocadas por uma sessão de cinema e outras tantas “gazetas” também acabavam lá.
Foram muitos os filmes que lá vi e que recordo para o resto da vida. Do herói Harison Ford - “Indiana Jones e o Templo Perdido” e “A Grande Cruzada”; “E.T: O Extraterrestre”; “Flashdance”; “ Against All Odds” com a música que jamais esquecerá-  “Take a look at me now” do Phil collins; “Os Amantes de Maria” ou o  “Paris, Texas”  com a belíssima e sensual Nastassja Kinski, e a música original da Route 66 com uns acordes de guitarra capazes de acordar um morto; o “ Oficial e Cavalheiro” com Richard Gere e a celebrérrima música do Joe Cocker e Jennifer Warnes “Up Where we belong”, Os “intocáveis” ou “Nunca digas nunca” com o grande Sean Connery.
Alguns destes filmes foram a inspiração para muitos inícios de namoro, para o culto de algumas paixões mais ou menos efémeras e para fazer despoletar belas histórias de amor, algumas mais e outras menos duradouras. Aliás, a música da Rita Lee “Flagra”, diz que “No escurinho do cinema/ Chupando drops de anis/ Longe de qualquer problema/ Perto de um final feliz… faz-me sempre lembrar as tardes e noites de sessões no cinema Gemini, trocando os drops de anis por “bilonhas de neve”, cujo sabor era tão delicioso quão irritante era o, repetido e constante, desembrulhar do seu invólucro de plástico vermelho no silêncio da sala escura.
Recordo que, normalmente, tinha quase sempre a mesma companhia para ir ao cinema, nos tempos do liceu. As tomadas de decisão de ir ao cinema eram ora de um ora de outro , mas, normalmente nunca partiam de um convite expresso, exceto num domingo à tarde em que me é dirigido o convite para ir ver o “Connan e os Bárbaros”. Quem viu este filme, jamais poderia imaginar que o mesmo pudesse ser inspirador, ou a cena de fundo para um pedido de namoro, eu também não. Tal convite, noutra altura em que não estivesse já acompanhada, jamais seria recusado mesmo sendo “o Connan e os Bábaros”, todavia, a resposta foi um: oh, já vi esse filme! Dias depois, em Março de 1985, fiquei a saber que a minha resposta havia sido aquilo a que, ao tempo, se chamava uma “tampa”. Estarão com curiosodade de saber se, afinal fui ou não ver “o Connan e os Bábaros”. Fui, com a mesma companhia de sempre, depois de um outro dia de Março de 1985. Foi também o Gemini, o espaço de iniciação do meu filho ao gosto pelo cinema.
Depois de algum tempo sem atividade foi destinado, em 2016 à organização de vários eventos e, depois da entrada em obra do velho Caracas, passou a ser a sala dos espetáculos na cidade.
Agora, ser-lhe-á dado um destino completamente diferente. Fica a história e as estórias dessa história, mas, sobretudo ficam as memórias. Adeus Gemini!

 * Advogada
 

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