Ano Novo Vida Velha

Helena Terra Opinião

Helena Terra*

Cá estou neste novo ano de 2022. Costuma dizer-se que, ano novo vida nova, mas não sei se, neste novo ano, o ditado se cumprirá. Acabámos o ano com os números do covid a aumentar e começamos o novo ano com os números a aumentar..

Acabámos o ano com uma enorme incerteza quanto ao futuro, por via da pandemia e das consequências que a mesma vai deixando pelo caminho. Acabámos o ano com eleições legislativas agendadas para 30 de janeiro, porque o PS a governar, sem maioria, não conseguiu fazer passar no parlamento o orçamento de estado e, agora, corremos sérios riscos de ter no novo ano, após eleições, uma vitória do PS de novo sem maioria. As últimas sondagens dão conta de uma subida anémica do PS, relativamente ao resultado de 2019, cerca de 1,7% de aumento de votação. O PSD com uma subida mais expressiva, cerca de 4,3%, sendo que o primeiro conseguirá 38% e o segundo 32% dos votos. A confirmar-se este resultado, no dia 30, teremos mais do mesmo. Os partidos que com o PS formaram a gerigonça, caem nas intenções de voto dos portugueses que, assim, parecem querer penalizá-los como responsáveis por termos eleições antecipadas.
Marcelo Rebelo de Sousa, quando dissolveu o parlamento e marcou eleições antecipadas, não era com isto que contava, nem era isto que queria. Percebe-se que Marcelo, animado com a reviravolta que as eleições autárquicas ditaram no resultado para a câmara de Lisboa, poderá ter visto no chumbo do orçamento a possibilidade de o seu partido de sempre regressar ao poder, ou não sendo isto possível, conseguir comprometer os dois maiores partidos num acordo de governo que permita, de uma vez por todas, fazer as reformas de que o país há muito precisa. Os resultados eleitorais, a confirmar-se o que se prevê, podem ditar que demore algum tempo até que tenhamos um novo governo em funções. António Costa afirma que, sem uma vitória expressiva que garanta estabilidade, vai embora e abre-se a corrida à sua sucessão. Em nenhum momento, até agora, Costa deixou em aberto a possibilidade de um entendimento com Rui Rio que admite esta hipótese. A suceder a António Costa, teremos alguém da chamada ala esquerda do partido que, terá dificuldade em fazer um acordo de governação com o PSD e poderá ter a tentação de se entender com os parceiros da defunta geringonça, sendo certo que, se o fizer, trairá os eleitores que votaram PS com a garantia de Costa de que tal entendimento não é possível num cenário próximo. Das eleições que aí vêm sairá uma encruzilhada que nem a mais brilhante das equações permite contornar. Marcelo Rebelo de Sousa terá um papel importante no dia 31 de janeiro e nos dias seguintes, tão ao jeito do que ele gosta. Adivinham-se muitos e complicados encontros com os lideres partidários, sendo que, além disso, pode ter que aguardar pelo surgimento de uma nova liderança para o PS. Do ponto de vista do exercício da chamada política ativa, poder-se-á dizer que o que aí vem será extremamente interessante, mas, do ponto de vista dos interesses do país, nada mais indesejável. É necessária estabilidade para executar o Plano de Recuperação e Resiliência, para que não percamos a oportunidade de pôr a economia a crescer para recuperar das consequências deixadas pela pandemia. O Serviço Nacional de Saúde necessita de investimento forte e direcionado a recuperar o que ficou para trás por força do foco covid. A educação precisa de recuperar aquilo que as necessidades de confinamento e as aulas á distância fizeram perder. O sistema judicial necessita de recuperar a confiança dos cidadãos. Portugal precisa de um governo forte e estável que nos ajude a recuperar a auto estima coletiva.


* Advogada
 

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