Helena Terra *

No final do mês de maio tivemos a terceira convenção do Movimento Europa e Liberdade (MEL), também apelidado de congresso das direitas. O objetivo anunciado era o de partilhar ideias para construir um horizonte de futuro para Portugal, mas o resultado conseguido foi a reunião de vários partidos com um único pensamento comum: atingir o poder.
Vários foram os atores partidários que por lá desfilaram, todos ansiando por um líder forte que pudesse federar as direitas e marcar o futuro próximo. Todavia, o máximo que conseguiram foi, em comum, ansiarem pelo regresso de um líder do passado. Por lá passou Pedro Passos Coelho por quem muitos suspiram e que ajudou a ensombrar o discurso de Rui Rio que, por si só, já era cinzento e nebuloso; ele que afirma que o PSD não é de direita e que tenta fazer crer que não quer nada com André Ventura a menos que seja com sotaque insular.
A convenção do MEL foi um enorme serviço prestado ao PS em geral e a António Costa em particular. Ao PS, porque deixou bem claro que, à sua direita, existe uma enorme ambição de poder, mas sem qualquer estratégia ou projeto de futuro. Ao António Costa, que irá ao XXIII congresso do PS, aclamatório, marcado para julho, sabendo que a direita portuguesa continua órfã de líderes e vazia de ideias. O momento é marcado pela grande falta de qualidade dos protagonistas políticos e, também por isto, vivem-se tempos conturbados na política portuguesa. À esquerda temos a política das pequenas coisas que se agiganta por necessidade aritmética do PS que, por via disso, se vai descaraterizando. À direita temos um enorme corredor desértico de ideias, de causas e de protagonistas. A situação que vivemos demanda grande rigor de decisões e uma grande autoridade do estado, mas quem decide é titubeante e o estado é fraco e um estado fraco faz fraca a forte gente. Ultimamente, temos os nossos governantes a apelar à responsabilidade individual porque sabem que a responsabilidade coletiva depende deles e eles não são capazes de a orientar e de a fazer cumprir.
O próximo combate eleitoral é o de eleições autárquicas. Por cá, só por atenção ao calendário nos lembramos disso. O poder não precisa de arranjar agenda porque tem agenda própria que com facilidade se confunde, hoje e sempre, com a agenda de uma candidatura. A oposição precisa de marcar a agenda, mas ninguém sabe por onde anda. Precisa de trazer o poder a terreiro, mas não está no terreno. Em julho e agosto, ninguém está para aí virado.
Neste cenário quem tem o poder está em enorme vantagem e mantê-lo-á sem esforço e isto é verdade quer ao nível nacional, quer localmente.
– Novidades?
– Mais do mesmo é o que nos espera!

* advogada
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