Marco divisório de Fajões danificado

Pedra de 1672 está a ser recuperada

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Fotografia do marco cedida ao Correio de Azeméis pelo presidente da direção da Casa Museu Regional de Oliveira de Azeméis, Samuel Oliveira

O marco divisório de Fajões com Escariz, junto às Alminhas da Terrenha, partiu aquando a manutenção de um terreno no âmbito das obras de acesso à A32. Este marco, uma pedra característica, foi recolhido para o estaleiro da empreitada da variante de acesso Arouca-Feira.

Marta Cabral

“No final destas obras de acesso à A32, o marco será reposto no local”, explicou o presidente da Junta de Freguesia de Fajões, Óscar Teixeira, em declarações ao Correio de Azeméis. “Não será colocado neste momento porque, no decorrer da manutenção dos terrenos, é possível que este marco seja de novo danificado”, esclareceu. Desde 1672 que o marco divisório de Fajões com Escariz existe e, para a Junta de Freguesia, a sua importância é inegável, uma vez que este símbolo “antigo” separa o concelho de Oliveira de Azeméis do concelho de Arouca.

A história das freiras que delimitaram Fajões
Ao Correio de Azeméis, o presidente da direção da Casa Museu Regional de Oliveira de Azeméis, Samuel Oliveira, contou a história da origem do marco divisório de Fajões com Escariz. A 07 de novembro de 1068 da Era Cristã, o presbítero Auderigus doou ao presbítero Bermudo, seu discípulo e neto, todos os bens civis herdados dos seus avós e dos seus pais, Praolius e Gualavara; a ‘villa fagiones’ e a sua Igreja de São Martinho, situada abaixo do Monte Crasto Calvo e Monte Celo, por onde correm os rios Antuã e Ul (documento 470 do P.M.H.). Em fevereiro de 1179 da Era Cristã, a descendente daqueles ricos possuidores, Gontima Goterri, seus filhos e netos, doaram às freiras de São Bento do Mosteiro de Rio Tinto (Gondomar) os bens civis e a Igreja de Fajões, herdada pelos seus antepassados. Em 1540, as freiras do Mosteiro de Rio Tinto, donatárias da Igreja de Fajões e do seu território, passaram a residir no novo convento beneditino construído no tempo de D. Manuel I do Porto (atualmente é a estação de S. Bento, na cidade do Porto).
São estas freiras do convento de São Bento da Avé Maria do Porto que, em 1672, cumprindo o determinado pelas Constituições Diocesanas e para acautelar os seus bens e direitos, delimitaram a freguesia de Fajões desde Escariz, Carregosa e Cesar com marcos de pedra que têm (tinham) gravada a data de 1672 e o báculo, símbolo do seu poder, que usava a abadessa do Convento de São Bento da Avé Maria do Porto, padroeira e senhora da igreja e paróquia de Fajões (Samuel Bastos Oliveira, freguesia de Fajões, em 2018). O marco, situado numa parede divisória de dois matos em São Mamede, de frente às Alminhas da Terrenha, é um desses exemplares que demarcava a freguesia de Fajões de Escariz e Romariz da Feira. Infelizmente, estes marcos divisórios foram “desaparecendo por ganância dos povos” que os utilizaram para outros fins e “alimentaram a sua ambição” de anexar território de Fajões às suas terras.