Juntas vão contactar idosos

queles que não têm ou não atendem o telefone

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Na área abrangida pelo ACES Aveiro Norte (concelhos de Oliveira de Azeméis, São João da Madeira e Vale de Cambra), entre os dias 15 e 19 deste mês, foram administradas, aproximadamente, 600 doses de vacina contra a Covid-19 a bombeiros, nas Estruturas Residenciais para Pessoas Idosas, a seniores com mais de 80 anos e a pessoas com idade igual ou superior a 50 anos que tenham problemas de saúde. Segundo informações prestadas pelo diretor executivo do Agrupamento de Centros de Saúde Aveiro Norte, Miguel Portela, ao Correio de Azeméis, esta semana está prevista a administração de cerca de 1.900 doses de vacina “num processo que se prolongará pelo fim de semana”.

Marta Cabral

Foi com alguma dificuldade que a comunicação com o ACES Aveiro Norte se tem feito para esclarecer as dúvidas da população, que não sabe o que fazer caso pessoas destes grupos prioritários não sejam chamadas para a toma da vacina contra a Covid-19, especialmente em seniores com mais de 80 anos (ver caixa). Em resposta, o diretor do ACES Aveiro Norte desculpou-se com a escassez de informação prestada aos órgãos de comunicação social. “Peço que compreendam que é um momento muito exigente e que temos de sistematizar de forma assertiva toda a informação que vamos tendo”, afirmou Miguel Portela. Nessa sequência, o responsável disse que os utentes continuam a ser direcionados para S. João da Madeira que, “neste momento”, é o “único” centro de vacinação do ACES Aveiro Norte. “No início desta semana, mudará para as instalações da Oliva Creative Factory, na zona onde funcionou a Covid Drive”, anunciou.

Pavilhão da Soares Basto
será centro de vacinação
Miguel Portela adiantou, também, que o ACES Aveiro Norte está a estudar a criação de centros de vacinação em colaboração com as respetivas autarquias de Oliveira de Azeméis e de Vale de Cambra, garantindo que, “logo que estejam preparados”, serão “utilizados para a população desses concelhos”.
No caso do concelho oliveirense, o local escolhido foi o pavilhão da Escola Soares Basto. “Estamos a criar condições para que este espaço fique disponível quando tivermos vacinas em grande quantidade”, declarou o presidente da Câmara, Joaquim Jorge, na última reunião pública do executivo. Os vereadores do PSD questionaram se a Garagem Justino ou o pavilhão municipal não foram hipóteses colocadas em cima da mesa, uma vez que a perspetiva de ter um centro de vacinação a funcionar numa escola não seria a ideal porque, previsivelmente, os alunos irão retomar a atividade letiva presencial. O edil explicou que nenhum dos espaços reúne as condições necessárias para acolher um centro de vacinação e que o pavilhão da Soares Basto foi a solução encontrada, em articulação com a diretora do agrupamento, Maria José Cálix.

 

Oliveira de Azeméis: Casos confirmados: 6.193 – Há uma semana: 6.148

 

Dificuldades em contactar seniores exigem colaboração das juntas de freguesia
O diretor do ACES Aveiro Norte, Miguel Portela, informou o Correio de Azeméis de que os utentes estão a ser convocados via chamada telefónica e que, em articulação com o município oliveirense, tem pedido auxílio para “chegar àqueles que, por algum motivo, não têm telefone nas bases de dados” ou que “não atendam as chamadas”.
O presidente da Câmara Municipal de Oliveira de Azeméis realçou a dificuldade da Administração Regional de Saúde (ARS) do Norte em contactar as pessoas mais velhas. “Estamos a articular este apoio com os presidentes das juntas de freguesia. Estamos à espera das listas desses seniores para ser possível contactá-los”, explicou Joaquim Jorge. “Em contacto direto com o sénior, faz-se a ligação com o ACES e assim será possível que o utente receba informações do horário e data da sua vacinação”, descreveu. De igual forma, o utente também poderá entrar em contacto com os serviços competentes caso tenha alguma dúvida sobre o dia da sua vacinação. A forma habitual de contacto do Serviço Nacional de Saúde é por mensagem, através do número 2424, ou, na impossibilidade de contacto telefónico, será enviada uma carta para a residência do utente.
Para a octogenária Florinda Silva Bastos, de Ul, a situação não a preocupa, especialmente porque conta com “a ajuda dos filhos”. “Sinceramente, não sei qual é o procedimento, mas não estou preocupada porque os meus filhos estão a par da situação”, contou a sénior, de 84 anos, ao Correio de Azeméis. Já Maria Martins, de S. Roque, afirmou que tanto ela como o marido, Jacinto Silva, não sabem como funciona o processo da vacinação, mas aguardam por uma chamada que os elucide. “Vejo as notícias pela televisão, mas é tanta informação que uma pessoa até se confunde”, considerou Maria Martins, de 86 anos. “No entanto, a minha filha está mais atenta do que eu e apoia-nos”, assegurou.