José Barbosa testou positivo ao novo coronavírus, que provoca a Covid-19, no passado mês de novembro, e recuperar os níveis de respiração e resistência física não foram tarefas fáceis. Longe de imaginar que podia estar infetado, o basquetebolista recordou que apenas sentiu dores musculares, pensando ser resultantes do jogo da véspera.

O basquetebolista da Oliveirense recordou que “a parte respiratória foi a mais atacada e a capacidade de resistência durante os jogos e os treinos começa a ceder muito mais cedo”. José Barbosa, de 30 anos, esteve isolado 10 dias numa unidade hoteleira do Porto, após ter visto confirmada a infeção por covid-19 em 17 de novembro, no arranque do estágio da seleção nacional para uma dupla jornada de pré-qualificação para o Mundial2023. “Joguei num sábado para a Liga contra o Vitória em Guimarães [74-84]. Nos dois dias seguintes, acordei com algumas dores musculares nas pernas. Fiz a minha vida normal e nem sequer pus a hipótese de testar positivo, já que me sentia mesmo bem, as dores desapareceram na segunda à tarde e estava confiante de que se deviam ao jogo”, lembrou o jogador em declarações à Lusa, no início deste mês.
“A única hipótese que pode ter originado isto foi as idas a um ginásio público de Oliveira de Azeméis, no qual fazemos treino de musculação às terças e quintas-feiras. Por mais que usemos máscara, há alguns exercícios em que acabamos por retirá-la e vamos para uma sala com pessoas externas à equipa. Felizmente, correu tudo bem”, referiu José Barbosa, que acabou por perder o paladar, mas que, entretanto, já o recuperou.
Apesar do “cansaço sem razão aparente”, além da impressão temporária de “não sentir qualquer alimento ingerido”, José Barbosa regressou às quadras 22 dias após a derrota em Guimarães, alinhando 28 minutos no triunfo caseiro da Oliveirense sobre o Barreirense (102-54). “Por muito que tentasse puxar mais, o corpo não respondia. Só aos poucos é que as coisas foram saindo com naturalidade e tive mais êxito. As estatísticas desses primeiros jogos estão bastante inferiores aos últimos dois ou três. Pode ser explicado por fatores desportivos e pela incapacidade física originada pelas sequelas do vírus”, admitiu o bicampeão nacional.

“Jogar sem adeptos é quase como não jogar”
Conhecedor de outros atletas da Liga com “situações iguais ou piores” na reintegração competitiva após a infeção por Covid-19, José Barbosa salienta que “a preparação dos jogos é difícil”. “Os treinadores nunca sabem quando e contra quem vão jogar, o calendário está sempre a alterar e a preparação dos próximos meses é uma incógnita completa. Acabamos por conseguir ultrapassar todas estas pequenas coisas, que vão exigindo o dobro ou o triplo do trabalho de todos os intervenientes”, alertou o base da Oliveirense, que apresenta médias de 6,36 pontos, 4,45 ressaltos e 7,55 assistências por jogo na Liga.
“Tem sido uma época extremamente horrível a todos os níveis. Jogar sem adeptos é quase como não jogar, porque o público é 60 por cento, se não mais, do espetáculo que praticamos. Por muito que se diga que jogar no principal escalão é sempre motivador, atuar com bancadas vazias faz duplicar o trabalho para nos automotivarmos”, concluiu José Barbosa.