Helena Terra *

É certo que estamos longe de 1886, mas continua a fazer sentido comemorar o Dia do Trabalhador. Este ano, tendo em conta o último ano que vivemos, devemos aproveitar o dia para homenagear todos aqueles que no último ano estiveram na linha da frente, em várias frentes, para garantir a nossa saúde, sobrevivência e subsistência da nossa vida coletiva.
Os profissionais da área da saúde foram fundamentais porque vivemos em emergência e urgência sanitária. Mas, tal como estes, muitos outros não puderam parar de trabalhar. Foi assim com o pessoal da recolha de resíduos e limpeza do espaço público. Foi assim com o pessoal que trabalha na área alimentar para que pudéssemos continuar a comer. Foi assim com o pessoal que trabalha no abastecimento de água, eletricidade, gás e comunicações. Foi assim com os trabalhadores dos transportes. Foi assim com o pessoal da área industrial que produziu equipamentos de proteção individual e de desinfeção. O mesmo se passou com quem trabalha na área da distribuição e das entregas que trabalhou muito mais que o habitual com o aumento das compras online. Igualmente, tiveram que se superar as forças de segurança e os nossos bombeiros.
A todos estes, o nosso especial agradecimento perante os quais nos curvamos em sinal de homenagem.
Hoje ainda há lutas para travar por parte dos trabalhadores. É necessário manter a negociação coletiva porque o contrato individual de trabalho não é um daqueles em que vigora, na sua pureza, o princípio da liberdade contratual, uma vez que as partes contratantes não estão, à partida, numa situação de igualdade. Além disso, o combate à precaridade no trabalho é um desígnio das sociedades modernas, quer para conferir segurança aos trabalhadores, quer para conferir estabilidade nas estruturas produtivas. As situações laborais precárias não permitem um sério investimento na formação da força de trabalho, nem permitem que os trabalhadores criem um compromisso sério e duradouro com as estruturas produtivas em que estão inseridos; estes são dois aspetos fundamentais para que possamos ganhar a batalha da produtividade.
Por outro lado, as empresas têm que assumir compromissos ao nível da responsabilidade social com os seus trabalhadores. Estruturas sociais de apoio são fundamentais para o combate ao absentismo, para a fixação da mão de obra, para atrair profissionais qualificados e, além disso, para criar espírito de comunidade, de partilha e pertença que geram bem-estar entre todo os agentes e o compromisso de todos para o resultado final. Por fim, os sindicatos têm que acompanhar estas necessidades e fazer somar a pró-atividade à reivindicação.
Hoje, a palavra de ordem já não deve ser, trabalhadores de todo o mundo uni-vos, mas forças do trabalho deem as mãos!
* advogada