HELENA TERRA – Estalagem S. Miguel

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Helena Terra *

A estalagem S. Miguel já foi um dos ex-líbris da nossa cidade. Uma obra que teve o seu início em 1972 e que foi construída com dinheiro e trabalho de um bom punhado de homens bons desta terra. Hoje, depois de cerca de duas décadas de história atribulada, está votada ao mais completo abandono e potencial degradação.
O executivo municipal atualmente em funções decidiu, em minha opinião mal, a sua venda e, em 2019, avançou com a hasta pública para o efeito. Fê-lo, fixando como único fim possível o equipamento de uma unidade hoteleira de quatro estrelas, no mínimo, e pelo valor base de um milhão e seiscentos mil euros. O resultado foi aquele que era previsível, nenhum investidor privado mostrou interesse na compra do imóvel e a hasta pública ficou deserta.
Trata-se de uma estrutura de excelente qualidade, sob vários pontos de vista, mas cinquentenária e à qual o estado de abandono, em que se encontra há vários anos, acrescentou idade. Fácil era prever, entre o mais, que para poder servir o fim que lhe foi fixado, além de inúmeras obras, teria que ser objeto de ampliação e que isso, eventualmente, custaria muito mais de outro tanto.
Considero que a venda da estalagem S. Miguel, atento todo o circunstancialismo da mesma, era e será um erro. Trata-se de uma construção situada em pleno coração do parque de La-Salette, que foi construída com donativos de oliveirenses e que, muitos anos depois, por se encontrar, no que toca ao direito de propriedade, numa situação jurídica pouco clara, foi parar às mãos do município. Esta solução não me parece que chocasse a memória daqueles homens bons, mas a posterior venda creio que, pelo menos a alguns, que até ainda estão vivos, chocaria.
É urgente uma tomada de posição sobre a estalagem, que poderá passar pela concessão a outrem que a reconstrua e dela usufrua ou a explore, com um fim útil à comunidade, mediante uma contrapartida, por um período determinado de tempo que permita ao concessionário o retorno do investimento, senão o destino será o mesmo. Esperar que desapareça pela inércia, não!

* advogada