Helena Terra*

Os partidos tradicionais do nosso sistema democrático vivem momentos de crise e necessitam de repensar a sua organização e funcionamento.
Ao nível nacional temos o PCP a necessitar de repensar a sua liderança. O PSD que não se revê na sua liderança. O CDS-PP com uma liderança, mas sem partido para liderar. O PS a preparar-se para uma corrida para uma nova liderança.
Ao nível concelhio temos um PSD em regeneração. Um CDS-PP a lutar pela sobrevivência. E um PS apagado onde apenas são visíveis os membros dos executivos autárquicos.
As eleições autárquicas que se avizinham vão trazer os partidos para a praça pública. Por cá já conhecemos alguns dos candidatos às Juntas de Freguesia do nosso concelho e, esta semana, saberemos quem será o(a) candidato(a) à Câmara Municipal apresentado(a) pela coligação PSD/CDS-PP. Sendo certo que, pelo PS, não haverá surpresas na candidatura à Câmara Municipal porque, por certo, teremos o Presidente recandidato.
A uma das uniões de freguesia já sabemos que existirá uma candidatura independente concretizada na recandidatura do atual executivo do CDS-PP da dita União; será, assim, uma candidatura independente, mas pouco.
A questão das candidaturas autárquicas independentes surge, muitas vezes, liderada por militantes de partidos políticos que, ou estão em rota de colisão com os dirigentes do momento do seu partido, ou querem afirmar o seu valor eleitoral e de aceitação na comunidade, independentemente do partido em que militam.
Outras candidaturas ditas independentes são uma aparência de convergência e de uma união que não existe e que, quando muito, somam parcelas de poder.
Acho difícil haver independentes na política, tanto mais que, das experiências conhecidas aos vários níveis da chamada política ativa, nunca sabemos de que tipo de independência se afirmam os seus protagonistas.
A história demonstra-nos que política partidária e coerência, algumas vezes, não andam juntas porque, se andassem, alguém que não concorda com a estratégia eleitoral do seu partido, ao ponto de ser opositor dele num ato eleitoral, no mínimo, antes, renuncia à sua militância porque, se não o fazer, parece uma tentativa de esconderijo atrás de uma parede de vidro.
O exercício da atividade política exige os pés assentes na terra e já diz o velho ditado que quem fica com um pé dentro e outro fora, corre o risco de se desequilibrar e quiçá, até de cair!

* advogada