Helena Terra – Construir a cidade

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Helena Terra *

 

Com frequência ouvimos dizer que temos uma cidade pouco cidade e que a nossa cidade é uma sombra da vila que já foi.
A cidade para uns é o local de trabalho, para outros o local para viver, para outros, um espaço de lazer e, para uns e outros, tem que ser um espaço aprazível e de futuro. Em 2050, estima-se que dois terços da população mundial viverão nas cidades e Portugal segue esta mesma regra.
Oliveira de Azeméis é um concelho grande em dimensão geográfica e com grande dispersão populacional. Há uma grande percentagem da nossa população que passa meses, senão anos, sem se deslocar à cidade que é sede de concelho. Ao envelhecimento da população junta-se a má, em alguns casos inexistente, rede de mobilidade, e pouca qualidade dos espaços públicos em geral.
Temos uma rede viária, em geral, com má qualidade. Não temos rede de transportes e, não obstante a necessidade de substituir o automóvel, mesmo este, não está acessível a muitos dos cidadãos espalhados pelo nosso concelho.
No que à cidade diz respeito, a rede viária é de má qualidade, quer nas zonas destinadas ao trânsito pedonal, quer nas zonas destinadas ao trânsito automóvel, nestas, desde logo, por falta de fiscalização da reposição nas zonas objeto de intervenção dos vários agentes.
Temos uma cidade com falta de passeios e os que existem têm má qualidade. A arborização que foi efetuada em algumas das artérias da nossa cidade foi errada. Árvores de raiz pouco profunda que nunca foram podadas com o objetivo de condicionar a sua altura e as suas copas. Resultado: aquilo que se pretendeu serem zonas com verde e sombra, hoje são zonas sombrias, escuras e lúgubres.
Em maio deste ano a nossa cidade comemora 37 anos de idade, estando a sua construção adiada também há 37 anos.
Numa altura em que se reabilitam alguns edifícios públicos, e outros se reabilitarão, não podemos continuar a adiar a construção da nossa cidade.
Não há cidade sem mobilidade dela e para ela. Não há cidade sem ofertas de qualidade para os que nela trabalham, para os que nela vivem e para os que a procuram como um espaço de lazer.
Espaços públicos de qualidade, acessíveis e com utilidade e eficácia para o fim em vista…
Claro que, a isto, podemos chamar, resumidamente, qualidade de vida!

* advogada