Ganhou a democracia

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A democracia ganhou estas eleições presidenciais. A abstenção foi bastante mais baixa do que as sondagens previam. Com os receios de sair de casa face à pandemia, com o atual presidente da República com vitória antecipada tudo indicava que muitos portugueses não encontravam motivo para se deslocarem às mesas de voto.
Há quem defenda que muitos eleitores foram motivados a votar para derrotar o candidato da extrema direita, André Ventura. Ou para apoiar este. É uma realidade incontornável. O fenómeno populista de direita está a crescer em toda a União Europeia e agora tem “delegação” em Portugal, como lembrou indiretamente a francesa Le Pen, na sua visita a Lisboa para apoiar o candidato do “Chega”.
Não obstante a abstenção ter sido menor que o esperado continua a ser uma preocupante ameaça à representatividade dos eleitos. O sistema eleitoral tem que se modernizar. Com os meios eletrónicos hoje existentes já não faz sentido, por exemplo, que seja difícil exercer o direito de voto um cidadão que trabalhe em Lisboa, ou inclusive no estrangeiro, e tenha residência na sua terra natal no norte do país. Ao eleitor deve ser permitido votar onde quer que esteja, em território português ou nas representações de Portugal no exterior.
Facilitar o acesso ao exercício do direito de voto é uma meta que deve assumir quem nos governa. A democracia sairá reforçada.

* jornalista, presidente
da Associação Nacional
da Imprensa regional