Fora de Jogo

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Helena Terra *

Na última semana, Luís Filipe Vieira marcou a agenda mediática nacional. Além dele outros protagonistas, já conhecidos, voltaram à ribalta – o procurador Rosário Teixeira e o juiz Carlos Alexandre. Destes resultou o “modus operandi” já conhecido, deter para ouvir, uma prática pouco dignificante da justiça e da atividade judiciária em geral e que não deve ser regra no Estado de Direito Democrático. Mais uma vez prescindindo do trabalho de investigação da polícia judiciária, foram as buscas efetuadas pela autoridade tributária e pela P.S.P. Rosário Teixeira parece não querer nada com a nossa polícia especialmente vocacionada para a investigação criminal.
À justiça o que é da justiça, à política o que é da política, ao futebol o que é do futebol… eis o chavão por demais usado pelo nosso primeiro-ministro e que ele põe em prática sempre que se quer escudar de comentar assuntos sobre os quais devia emitir opinião e que não pratica quando se devia excluir de algumas misturas.
Todos nos lembramos que António Costa e Fernando Medina integraram a comissão de honra da última recandidatura de Luís Filipe Vieira às eleições realizadas em outubro último. Ao tempo, um e outro, escudaram-se na desculpa infantil de o primeiro-ministro continuar a ser o cidadão António Costa e o presidente da Câmara de Lisboa ser o cidadão Fernando Medina. Obviamente que, enquanto um e outro mantiverem as atuais funções, ninguém se conseguirá alhear do facto de um ser o primeiro-ministro de todos os portugueses e o outro ser o presidente de todos os lisboetas.
Quando António Costa e Fernando Medina tomaram tal decisão, não podiam ignorar que Luís Filipe Vieira já havia sido condenado por furto; que era arguido na operação lex por corrupção ao juiz Rui Rangel; que era implicado na operação Mala Ciao, e na operação E-Toupeira, além do seu grande historial de grande devedor à banca e beneficiário de perdões de dívida incompreensíveis, porque são inexplicáveis.
Além daquelas envolvências diz-se ter sido Vieira o criador de André Ventura como figura pública. Certo é que este passou a ser figura dos ecrãs da Benfica TV e da CMTV, pela mão de Vieira, depois de ter assumido protagonismo na eleição de Luís Filipe Vieira em 2012.
António Costa e Fernando Medina, nas eleições do Benfica de 2020, deveriam ter tido a sensatez de ter ficado de fora de jogo e não o fizeram e, por via disso, foram menorizados por Luís Filipe Vieira que tomou a iniciativa de os excluir… humilhante, no mínimo!
Para Costa e Medina, o jogo ainda está no tempo regulamentar e as faltas graves são, normalmente, sancionadas com cartão vermelho.

* advogada
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