Empresários oliveirenses instalaram-se em Estarreja

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A falta de uma área de acolhimento empresarial com as devidas condições, áreas e acessos, tem-se acentuado no concelho de Oliveira de Azeméis. Já foi inclusive referido, várias vezes, em reunião de Câmara, esta lacuna, tendo, na última sessão sido discutida a tentativa de expansão e melhoria da Área de Ul-Loureiro. Ainda que seja uma ambição do município, verificam-se empresários com raízes oliveirenses a alocarem as suas indústrias em concelhos vizinhos.

Depois de uma pesquisa no Eco Parque industrial de Estarreja, o Correio de Azeméis apurou pelo menos sete empresas que apresentam ter ligações ao concelho oliveirense. É o caso do Grupo Politejo, um grande fornecedor das principais obras de tubagem do concelho. “No ano 2009 ainda tentámos construir uma fábrica no nosso concelho, mas optamos por Estarreja”, afirmou o diretor comercial, Martim Azevedo, natural de Cesar. Ainda que preze o concelho, “a opção deveu-se às magníficas condições que a zona industrial de Estarreja tem, às suas acessibilidades e localização, que, sem dúvidas, eram melhores que as de Loureiro”, acrescentou.
O Grupo Sinuta, SA está também sediado em Estarreja, é líder mundial na produção de equipamentos de comunicação por satélite e foi fundada em 1995 pelo oliveirense Diamantino Nunes, o presidente da Associação de Melhoramentos Pró-Outeiro. “Na altura da criação da Sinuta, não havia em Oliveira de Azeméis pavilhões disponíveis para alugar, e a empresa encontrou um em Estarreja, onde foi muito bem recebida, assim como todos os Oliveirenses que têm empresa no concelho”, informou Diamantino Nunes, quando questionado pelo Correio de Azeméis. A acrescentar a esse fator “não existia, politicamente, um incentivo da autarquia para que os empresários instalassem as suas empresas no concelho”, explicou ao considerar a burocracia “muito elevada” e que “afastava a possibilidade dessas construções em Oliveira de Azeméis”, esclareceu. Outras empresas posicionadas em Estarreja são a LP Moldes, empresa do Grupo Olesa, Indústria de Moldes, SA, sediada na Zona Industrial de Santiago da Riba-Ul; a Natigam, Tecnologia e Injecção de Plásticos, SA, cujo administrador é António José Silva, o presidente da Cerciaz em Oliveira de Azeméis; a Codeplas, que apesar de ainda manter a sua sede em Oliveira de Azeméis, construiu um centro de injeção em Estarreja; a Plásticos Joluce SA, associada do grupo Moldoplástico, uma das empresas mais conceituadas do mundo no fabrico de moldes de injeção e sediada em Oliveira de Azeméis; e a Sopais, componentes metálicos, Lda, que iniciou atividade no concelho, em nome individual do sócio-gerente António José Ribeiro, em 1987 e, com o crescimento da atividade, procurou outros espaços para a devida expansão. Verifica-se que, na impossibilidade de espaços adequados para crescerem, optaram por procurarem alternativas fora do concelho, na busca de melhores soluções para se expandirem.
“Algumas empresas naturalmente que encontraram melhores espaços em zonas ao lado”, afirmou o representante da Associação Empresarial do concelho de Oliveira de Azeméis (AECOA), António Pinto Moreira, ao adiantar que “são a exceção e não a regra”. Do ponto de vista teórico, “Oliveira de Azeméis deveria ter condições para alojar essas empresas”, segundo comunicou o representante, mas “o empreendedorismo tem acontecido a um ritmo desenfreado nos últimos anos”, conforme explicou. Esta situação tem acontecido com maior rapidez do que a capacidade de resposta desejada. “A autarquia não tem estado completamente parada”, confirmou.
Segundo se lê no preâmbulo do Regulamento de Gestão da Área de Acolhimento Empresarial de Ul-Loureiro da Câmara Municipal, datado de 2013, previa-se que em 2016 a Área de Acolhimento Empresarial de Ul-Loureiro estivesse “plenamente concretizada” e que o nível de ocupação fosse “significativo”. Passados cerca de cinco anos, verificam-se ainda muitas lacunas nas condições e nos acessos conseguidos até então. Ainda que sejam discutidas soluções, os avanços são morosos e as potenciais atividades económicas vão-se instalando nas redondezas concelhias.
O presidente da Câmara Municipal, Joaquim Jorge, responsável pelo pelouro de desenvolvimento económico, apesar de lamentar as migrações dos empresários, reconheceu que existe trabalho a ser feito para criar as devidas condições para que “Oliveira de Azeméis seja selecionado”, concretizou. “Passa pela requalificação das zonas industriais, mas também pela criação de um conjunto de condições que permitam melhorar o nosso radar de investimento regional”, assumiu o presidente.
O autarca oliveirense relembrou que o orçamento municipal deste ano contempla verbas para a requalificação das zonas industriais. Em Loureiro, serão requalificados os arruamentos. A obra de requalificação da zona industrial de Oliveira de Azeméis “será lançada a concurso ainda este mês”, segundo avançou. “Temos uma empresa [do concelho] a desenvolver o projeto para a requalificação da zona industrial do Nordeste [Cesar, Carregosa, Fajões]”, contou “não esquecendo também a zona industrial de Nogueira do Cravo/Pindelo”, que tenciona igualmente intervir futuramente.