Em tempo de Covid-19: A política, ética e a ciência

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Prof. Doutor Carlos Costa Gomes *

Vivemos um período sensível. A Covid-19 trouxe consigo o que há de mais importante na ciência/biotecnologia e na sua disponibilidade para o benefício da sociedade. Como defendeu, em 2001, Ted Strickland, apenas nos devemos guiar pela ciência disponível e não devemos permitir que a política, a filosofia e a teologia interfiram nas decisões de natureza científica.
Sondagens efetuadas em diversos países mostram que os cientistas gozam de larga confiança em relação aos políticos e muito mais em relação aos filósofos e teólogos. Uma das razões da desconfiança sobre os políticos é a de que são dados a exibicionismo, falam do que não sabem, são influenciados por grupos de pressão e por interesses instalados.
Porém, a ciência, por si só, não deve e nem pode definir os seus próprios objetivos nem os da sociedade. A ciência pode descobrir vacinas e terapias para muitas doenças; mas também pode criar microrganismos agentes de infeções; no âmbito da física descobriu o átomo, mas por ele também construiu armamento bélico. O que parece, para a ciência, indiferente na ânsia do conhecimento, não é evidente para a filosofia ou teologia, nomeadamente no estudo do comportamento humano a que chamamos ética. Então se à política compete a tomada de decisão para o melhor bem da sociedade, à ética está reservada a missão de se pronunciar sobre se os fins são bons ou maus.
De modo geral, a ciência procura sempre o novo. A nova vacina contra a Covid-19 é, no momento, a prova do valor intrínseco da ciência. Creio que ninguém duvida desta premissa. Contudo, é também verdade que os cientistas são “presas” fáceis da sua própria ambição e dos muitos interesses económicos e financeiros das agências e dos laboratórios onde exercem a sua atividade. Daí que afirmamos que o que se faz em matéria de biotecnologia é do interesse público e, por isso, diz respeito à política e à ética.

* Prof. Ética e Bioética ESSNorteCVP