Marie Domingues *

O reconhecimento das doenças cardiovasculares como principal causa de morte no país (29,9% em Portugal, em 2019) e de internamento hospitalar obrigam a uma abordagem integrada de controlo dos principais fatores de risco de morbilidade e mortalidade cardiovascular (hipertensão arterial, diabetes, dislipidemia, tabagismo, alcoolismo e obesidade). Em 2019, 31,7% do total de óbitos em Oliveira de Azeméis foram por doenças do aparelho circulatório, para todas as idades e ambos os sexos. Nos homens, esta proporção foi maior em relação às mulheres (32,8% vs 30,5%). Já as doenças cérebro-vasculares corresponderam a 10,6% dos óbitos em Oliveira de Azeméis em 2019, independentemente da idade e do sexo. Este valor é superior à da região Norte (9,4%) e de Portugal (9,8%).
Os sinais de alerta do Acidente Vascular Cerebral (AVC) são a dificuldade em falar, o desvio da face (boca ao lado) e a falta de força num membro (braço ou perna). Na presença de qualquer um destes sinais, a pessoa, familiar, cuidador ou quem assiste (incluindo os profissionais de saúde) deve contactar de imediato o 112. O conceito de que “tempo é cérebro” traduz o facto de o tecido cerebral ser extremamente vulnerável à falta de irrigação sanguínea e que, a cada minuto que passa, um número elevado de células nervosas é destruído. Este processo conduz a défices de gravidade variável com sofrimento e custos sociais importantes.
O reconhecimento precoce de sinais de alarme AVC, o conhecimento dos mecanismos de pedido de ajuda e a sistematização das primeiras atitudes de socorro constitui um pilar na abreviação dos tempos até ao início da terapêutica. É fundamental agilizar um sistema de socorro em que a luta contra o tempo é o primeiro objetivo.

* Médica na Unidade de Saúde Pública do ACeS Entre Douro e Vouga II – Aveiro Norte