Descargas em rios são mais frequentes

Autarca de Macieira de Sarnes lamenta morosidade das autoridades

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Há cerca de uma semana, o rio que atravessa a freguesia de Macieira de Sarnes, chamado Ribeiro do Pintor, encontrava-se visivelmente poluído. “Acontece com alguma frequência e já se denunciou por diversas vezes, embora sem sucesso”, lamentou a presidente da Junta de Freguesia de Macieira de Sarnes, Florbela Silva, em declarações ao Correio de Azeméis.

Marta Cabral

Um pouco por todo o concelho de Oliveira de Azeméis, como é o caso de Cesar e de Pinheiro da Bemposta, as descargas residuais fazem parte da realidade da população, que regista, através de fotografias ou de vídeo, estes fenómenos.
Já não é a primeira vez que o Ribeiro do Pintor se apresenta de forma diferente (ver fotografia) e a autarca de Macieira de Sarnes contou ao Correio de Azeméis que, numa das vezes, no Lugar das Terças, “estava óleo a boiar”. “Fizemos a denúncia e passadas três semanas vieram ao local. É óbvio que já não havia essas evidências”, declarou Florbela Silva.
Interpelado pelo nosso jornal, o presidente da Câmara Municipal de Oliveira de Azeméis “não valida este tempo de espera”. “Garanto que a resposta dos técnicos, face a uma denúncia, é rápida. Se tivermos casos desse género, será uma exceção, não a regra”, garantiu Joaquim Jorge.

Pinheiro e Cesar registam casos
Nas redes sociais, também há relatos recentes de descargas em Pinheiro da Bemposta e Cesar. Nesta última freguesia, a Quercus de Aveiro partilhou um vídeo em que é visível descargas no rio. “As descargas de emergência da rede de saneamento são, afinal, muito frequentes. As águas residuais sem tratamento são despejadas nas valas e ribeiros”, pode ler-se na publicação da Quercus de Aveiro.
Em declarações ao Correio de Azeméis, o presidente da Junta de Freguesia de Cesar apontou duas situações que estão a acontecer na vila. “A primeira diz respeito às águas pluviais que, no Inverno, estão ligadas ao saneamento e que a ETAR não tem capacidade para gerir na totalidade. A segunda diz respeito a infratores, para já, desconhecidos, que nos têm levado a limpar as bombas da estação elevatória três vezes por semana”, revelou Augusto Moreira, referindo-se às ações de limpeza da Indaqua, uma vez que têm articulado estes casos com a entidade.

Origem das descargas é desconhecida
As descargas, que acontecem também no Ribeira do Pintor, são de origem desconhecida e o autarca realçou que é no rio, mais precisamente nas traseiras do restaurante Julieta, em Cesar, que se verificam mais casos de poluição. “É preciso sensibilizarmos as pessoas, até porque estas ações nem sempre são feitas por empresas”, apontou Augusto Moreira. “Nesse sentido, no mês de março vamos iniciar uma campanha de sensibilização que estamos a preparar para a população”, anunciou, acrescentando: “Temos de sensibilizar para a redução de herbicidas, para a limpeza junto às casas e para a colocação de determinados resíduos nos contentores de resíduos sólidos urbanos”.

 

 

Infratores “serão severamente punidos”
Joaquim Jorge também descreveu, à semelhança de Augusto Moreira, que as bombas das estações elevatórias “entopem” e que é por isso que, durante dias, é visível alguma perturbação nos rios, uma vez que o funcionamento do sistema fica comprometido. “Se conseguirmos apanhar estes infratores, asseguro que os mesmos serão severamente punidos”, enfatizou o presidente da Câmara Municipal.
Em relação à freguesia de Pinheiro da Bemposta, a presidente da União das Freguesias de Pinheiro da Bemposta, Travanca e Palmaz explicou que as descargas no Rio Antuã acontecem também devido à inexistência de saneamento na freguesia. “Tanto podem ser feitas por empresas como por particulares, até porque recebemos, pontualmente, algumas denúncias”, explicou Susana Mortágua.