Helena Terra *

O Correio esteve de férias e todos nós estamos a retomar, após um período de pausa depois de um ano e meio muito duro provocado pela pandemia, que cremos estar à beira de estar controlada, caso não surjam muitas novas variantes do vírus que alterem os planos. Antes de mais, a todos, um bom regresso, que se espera ser de retoma da normalidade.
As próximas três semanas vão ser marcadas pela campanha para as eleições autárquicas.
No panorama nacional em geral, parece que a grande expectativa não está nos resultados dos dois maiores e mais importantes concelhos do país, Lisboa e Porto, mas antes nos concelhos de Almada e da Amadora. Começaram os debates televisivos entre os candidatos que, até ao momento, demonstraram, no geral, a fraca qualidade dos candidatos e o fracasso do modelo escolhido para o debate. No caso do debate entre os candidatos de Lisboa resultou, ainda claro que o debate foi centrado em questões importantes, é certo, mas de pouco interesse para o dia a dia dos lisboetas, além de ter demonstrado que gente habituada ao grande ecrã e à exposição que daí resulta não é, necessariamente, alguém que possa fazer furor na política.
No panorama local, lançados que estão todos os dados, vamos à campanha. Os candidatos já têm visibilidade gráfica no terreno, mas ainda se sabe muito pouco ou nada sobre os programas políticos que apresentam a eleições. Espera-se um debate público entre os candidatos a presidente de Câmara Municipal e, bem, assim um debate público entre os candidatos à Assembleia Municipal, tal como um debate organizado, em cada uma das freguesias entre os candidatos às respetivas Assembleias de Freguesia. É necessário que quem decide no próximo dia 26 conheça o projeto político com que os diversos candidatos se apresentam a sufrágio. Não bastam os cartazes e uns pendões, não basta que até possamos conhecer os candidatos e sermos seus amigos, é necessário que conheçamos o projeto político que cada um tem para propor ao seu eleitorado.
À boleia das autárquicas há quem, na vida interna dos diversos partidos, ande a fazer pela vida. No PSD, Rui Rio queima os últimos cartuchos na liderança do partido, enquanto outros já iniciaram a pré-campanha interna para a luta pela liderança. No PS, após um congresso sem história que não a da entrega do cartão de militante a Marta Temido, apenas para jornalista ver, fazem-se apostas para saber se António Costa é recandidato em 2023 e, no entretanto, algumas figuras do partido, daquelas que fizeram o centro de mesa, vão investindo em contactos e na proximidade das bases como um investimento de futuro. No CDS/PP, Francisco Rodrigues dos Santos vai aparecendo de braço dado com o PSD para tentar que as pessoas não esqueçam a existência do seu partido e da sua liderança.
O PCP luta diariamente para não perder eleitorado. O BE, sendo um partido de baixa implantação autárquica, reivindica concretizações para o seu eleitorado, levando o PS a contemplá-las em troca de um orçamento aprovado.
À direita, a iniciativa liberal tenta capitalizar as perdas do CDS/PP e o desencanto de muitos sociais democratas, mas não tem máquina nem tropas e todos os mandatos autárquicos que venha a obter são bem-vindos.
Quanto ao CHEGA, já chega!
* advogada