Contraditório

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Carla Rodrigues *

A gestão da coisa pública deve ser feita com legalidade e transparência. Os bens, os saldos de gerência, as receitas, os impostos, as taxas, não são da câmara municipal, são nossos, são dos oliveirenses. Por isso é obrigatório prestar contas.
O exercício da prestação de contas revela muito mais do que os números. Revela as opções políticas, as prioridades e a capacidade de gestão.
A prestação de contas relativa ao ano de 2020 apresenta indicadores financeiros positivos como a redução e controlo da dívida. Porém estes indicadores não podem ser um fim em si mesmos, mas um meio para a criação de condições de investimento e desenvolvimento.
A verdade é que num ano em que se chegou a um saldo de gerência acumulado de mais de 19 milhões de Euros, a câmara municipal investiu com recurso a capitais próprios, apenas cerca de 4 milhões. Num ano em que nos debatemos com uma pandemia que gerou a maior crise de saúde pública de que há memória, com a consequente crise social e económica, a Câmara optou por guardar dinheiro em vez de acorrer às necessidades emergentes. O investimento em 2020, ano de pandemia, foi inferior ao investimento de 2019.
Ficaram por fazer as necessárias intervenções nas escolas, na rede viária, nas zonas industriais. Ficou aquém a resposta à pandemia, o investimento no combate à propagação do vírus, a proteção dos trabalhadores municipais, o apoio ao comércio local, à restauração, às coletividades, às famílias.
Em nome de quê?
Em nome do calendário eleitoral.
Esta prestação de contas revela, em números, a insensibilidade desta câmara e a incapacidade de gestão em tempo de crise. Tal como dissemos a propósito do orçamento para 2021, nesta prestação de contas falta humanismo, falta solidariedade, falta compaixão.
Não podíamos votar a favor de uma prestação de contas onde falta o essencial: faltam as pessoas.

* Presidente da Comissão Política do PSD