Contraditório

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João Rebelo Martins *

Abbie Hoffman disse que a democracia não é um chapéu ou um alfinete que se usa na lapela, a democracia é algo que se cultiva todos os dias.
Celebrar o 25 de Abril é relembrar tudo aquilo que nos era velado se não houvesse uma alteração de regime. A democracia é celebrada todos os dias nas assembleias de freguesia, nas assembleias municipais, na Assembleia da República; na separação de poderes dentro do Estado; nos tribunais; na economia de mercado; no livre acesso à educação e a cuidados básicos de saúde; na imprensa livre; na liberdade religiosa; na liberdade sexual; na arte sem censura. Celebra-se o 25 de Abril, com a certeza que se pode afirmar ‘não’.
É termos acesso, como canta Sérgio Godinho, à “paz o pão, habitação, saúde, educação”. Ou, como magistralmente escrito por Paulo de Carvalho no hino do PSD: “Por um Portugal em paz/ Por uma democracia/P’lo nascer de um novo dia/Paz, Pão/Povo e Liberdade”.
Celebrar Abril é, todos os dias, lutar por um Portugal melhor, onde a polis prevalece.
Celebrar Abril é, também, celebrar o 25 de Novembro e ser integracionista: devemos aceitar quem pensa de forma diferente e devemos combater as suas ideias com ideias. Não é tentando ilegalizar partidos ou afastá-los das comemorações que se honra “as portas que Abril abriu”.
Se a democracia é um sistema perfeito? Não é, certamente. Mas é o melhor que conhecemos. E não nos podemos esquecer de que houve muita gente que sofreu e que morreu para que hoje pudéssemos viver como vivemos.
Por isso, ainda mais nos dias de hoje, em Pandemia, com todos os ataques que têm sido feitos ao sistema democrático por parte daqueles que o deveriam defender acima de qualquer interesse, temos de celebrar para relembrar o quão importante foi a última alteração de regime que Portugal conheceu.
Viva o 25 de Abril.
* vice- Presidente da Comissão Política Concelhia do PSD