Contraditório

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Em 2013, slogan de campanha do Sr. Eng. Joaquim Jorge à Câmara Municipal de Oliveira de Azeméis era: “Gestor competente a Presidente”.
Na altura escrevi que “Gestor competente a Presidente” abre duas hipóteses de interpretação, baralhando-me em relação à eleição: quem sabe se o Sr. Eng. Joaquim Jorge Ferreira é um gestor competente e o que é que a boa gestão de uma empresa favorece uma candidatura autárquica?
Escrevi, também, que não queria o Sr. Américo Amorim nem para Presidente de Junta, quanto mais para liderar a Câmara Municipal; porque custa-me a crer que um gestor formatado no ambiente empresarial consiga ser um líder democrata, consiga ouvir e atender pessoas que são sistematicamente contra a sua posição. Onde está a voz dos cidadãos?! Onde estaria o contra-poder?! Onde estaria o direito ao contraditório?! Isso não existe no mundo empresarial.
Na última reunião de Câmara, ficamos a saber que o concelho tem um saldo de gerência de 19.200.000 €. Sim, leu bem. Para quê?!
Uma câmara não tem de dar lucro, tem de proporcionar qualidade de vida aos seus concidadãos.
O que temos observado é um constante empurrar no tempo investimentos estratégicos, a imputação ao consumidor a factura do saneamento, a degradação da vida associativa, para dar alguns exemplos.
Um gestor competente amealha lucros ou investe quando é mais preciso? No combate à pandemia, com material de protecção e testes, por exemplo.
19.200.000 €, em nome de quê? Da política de betão em ano de eleições. De querer fazer em meio ano aquilo que não se fez em três anos e meio, de querer inaugurar tudo em plena campanha eleitoral.
É uma pena, porque o homem que se dizia bom gestor também era o mesmo que criticava esse tipo de política. O poder corrompe.
João Rebelo Martins, vice-presidente da comissão política concelhia do PSD