António Pinto Moreira *

A qualidade de vida que todos procuramos tem a ver com os nossos hábitos de vida, mas muito com a qualidade do ambiente em que vivemos.
Somos um concelho muito extenso e com grande beleza ambiental e paisagística. As atividades naturais da vida humana como agricultura e pecuária, exploração florestal, exploração mineira e atividade industrial têm de ser muito bem controladas, porque podem constituir fontes de contaminação dos solos, das águas e do ar. Por exemplo, dos solos vêm os alimentos que comemos, à superfície estão os enormes aquíferos que alimentam a agricultura e os animais e da atmosfera vem o ar que respiramos.
Até quase ao final do século XX, em Nogueira do Cravo, esteve em exploração uma mina de arsénio, que é dos metais mais tóxicos e venenosos que a natureza produz. A mina está encerrada há trinta anos, mas em geologia ‘raciocina-se’ sempre em milhões de anos, portanto o efeito contaminante vai continuar. Por lá nasce a ribeira do Pintor, que alimenta o rio Cercal que depois desagua no rio Ul.
Há 40 anos, nas freguesias de Santiago, Madaíl e Ul, no rio Ul já não havia qualquer espécie de peixe, enquanto no lado nascente, nas freguesias de Macinhata e Ul, o rio Antuã era abundante em peixaria e era onde grandes e pequenos se dedicavam às artes da pesca. Hoje isto já não acontece.
Se juntarmos o rio Caima, os três principais cursos de água do concelho estão dotados cada um com uma estação de tratamento de águas residuais. Mas a poluição de nascentes, ribeiras e descargas clandestinas continuam a ser notícia.
No nosso concelho tem sido feito o possível para melhorar, mas tem de continuar a fazer-se ainda mais e o esforço tem de ser de todos. Políticas, ação e fiscalização.

* Presidente da Comissão Política do CDS