Construir o futuro

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António Pinto Moreira *

 

É civilização um povo homenagear as pessoas de nobres feitos ou as que viram as suas vidas ceifadas de maneira triste, por culpas que não foram suas.
A semana passada foi de sentidas homenagens. Desde logo, 20 anos sobre a maior tragédia rodoviária ocorrida em Portugal. Depois, os profissionais no combate e as vítimas de uma maleita que ninguém pediu para si nem para os outros.
O CDS tem todo o respeito pelos sentimentos de um povo com alma e com história. Quanto a falar da alma, sou muito pouco para tamanha grandiosidade do ser português. Quanto à história, muito foi dito, mas parece que pouco com sentido e propósito.
Em Entre-os-Rios, havia inspeções técnicas e avisos – olhe que a ponte vai cair, olhe que a ponte vai cair – e nada, mesmo nada, aconteceu. Não há responsáveis? Enterram-se os mortos, mais tarde homenageiam-se.
Em política, tudo o que se diz ou faz tem consequências. Na ponte, o Ministro Jorge Coelho demitiu-se. Aqui, a preceito da Covid, o Presidente da Câmara fez uma homenagem com balões brancos, mas também um ataque soez ao líder da bancada do CDS, que nem vou pronunciar a terminologia que utilizou.
No início do ano escolar o CDS propôs a testagem à Covid preventiva a professores, funcionários, mas também IPSS, bombeiros e outros agentes na linha da frente. O sr. Presidente respondeu que isso seria desbaratar dinheiro. É uma expressão grossa e vincula-o. Pouco mais de um mês o concelho estava no nível mais grave pandémico nacional. Obviamente que assim o caso assume dimensão política, não? (Olhe que a ponte vai cair….). Quando se perde os argumentos, o truque de demagogia antigo, de assédio moral, pessoalizado, no palco da Assembleia Municipal, baixa ao nível da subcave rasteira da política. Bastava ao sr. Presidente da Câmara assumir que no futuro iria fazer melhor, por respeito.

* Presidente da
Comissão Política do CDS