Câmara com orçamento de 50,4 milhões

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Os vereadores do PSD de Oliveira de Azeméis votaram contra a proposta do orçamento municipal para 2021, apresentada na reunião de Câmara pelo executivo socialista na passada quinta-feira. Para a oposição, este orçamento, no valor global de mais de 50,4 milhões de euros, é “eleitoralista e enganador”.

Desde a reabilitação urbana até ao apoio ao empreendedorismo jovem, o presidente da Câmara Municipal, Joaquim Jorge, enumerou vários pontos de investimento para o ano de 2021. “Há um aumento substancial com capitais próprios: cerca de 18 milhões de euros. Com esta alocação de capitais, falamos de um investimento total de 27 milhões de euros, um número absolutamente impressionante”, declarou o edil. “São assegurados com verbas da própria autarquia, derivadas das opções de gestão dos últimos anos. Desta forma, podemos desenvolver obras no concelho sem depender de fundos comunitários”, apontou, realçando que esta proposta é “um dos orçamentos municipais mais ambiciosos de sempre”.
No entanto, os vereadores do PSD consideraram que o orçamento municipal não devia ser apresentado numa reunião de Câmara com 29 pontos a discussão e votação, queixando-se de que a documentação “foi facultada à oposição às 22h00 de segunda-feira”, deixando “apenas dois dias úteis para a análise”.
“Estamos perante um orçamento socialista, focado nas eleições autárquicas e desfocado da realidade e das pessoas, sobretudo num tempo em que o humanismo e a solidariedade deviam ser a marca deste instrumento de gestão autárquica”, referiu a vereadora do PSD Carla Rodrigues. “Este orçamento é irrealista e alheado aos tempos que vivemos”, reforçou, sublinhando que não há medidas específicas para o mercado, famílias, instituições sociais e empresas, o que demonstra “uma insensibilidade social”.
A vereadora social-democrata afirmou, ainda, que as consequências deste “eleitoralismo” são o adiamento de investimentos necessários. “Foram três anos de preparação para o ano eleitoral. O investimento nas zonas industriais e redes de água e saneamento é residual e as obras no parque escolar do 1.º e 2.º ciclos não têm a expressão que seria necessária”, exemplificou.
Joaquim Jorge voltou a realçar que o orçamento é “rigoroso” no seu investimento. “Não sei muito bem o que pretendem dizer com orçamento eleitoralista, mas entendo a dificuldade de apresentarem propostas. Este documento tem uma grande qualidade e reúne todas as condições para uma agenda estratégica na próxima década”, garantiu, apontando que a melhor forma de desmistificar a narrativa é perguntar às juntas de freguesia se sentem que são mais ou menos apoiadas no passado.

Ânimos aqueceram durante discussão do orçamento municipal
“É um orçamento irrealista e desigual, deslocado da realidade das pessoas. Estas conclusões que extraímos são suficientes para não termos outra opção senão votar contra”.
Carla Rodrigues,
vereadora do PSD

“Ouvi-la falar sobre um orçamento municipal irrealista é uma piada. Diz que não há orientação estratégica quando eu disse que investimos 13 milhões de euros, o que prova que não está atenta nas reuniões”.
Joaquim Jorge, presidente da Câmara Municipal

“Essa acusação é muito grave e não admito”.
Carla Rodrigues,
vereadora do PSD

“A falta de rigor é falta de atenção”.
Joaquim Jorge, presidente da Câmara Municipal

“Não é preciso atacar a vereadora do PSD que expõe esta visão. Enervo-me quando diz que estou desatenta nas reuniões de Câmara, porque levo a sério o meu trabalho para que possa corresponder às expectativas dos eleitores. Isto não é falta de rigor, mas a minha interpretação”.
Carla Rodrigues,
vereadora do PSD

“Eu não ataco a vereadora, mas sim o que diz. Quando diz um conjunto de coisas que não correspondem à verdade, essas coisas têm de ser refutadas. Por isso é que, convosco, as coisas funcionam muito no campo das hipóteses, porque, quando se trata de apresentar medidas, não o fazem”.
Joaquim Jorge, presidente da Câmara Municipal