Business Center “foi abandonado”

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O edifício do Business Center, situado na Área de Acolhimento Empresarial (AAE) de Ul/Loureiro, construído para dar suporte às empresas lá instaladas e com um intuito de impulsionar outras, em regime de startup e incubadoras, foi inaugurado em 2017 e ainda não cumpre as funções a que estava proposto. Atualmente, tem somente serviços topográficos camarários a funcionar.
Terá sido inaugurado com recurso a um gerador, uma vez que não tinha ainda instalação elétrica a funcionar, na tentativa de cumprir os prazos delineados no contrato da cedência da verba de fundos europeus, mas a sua estrutura apresenta graves problemas, nomeadamente infiltrações.
“O que nasce torto é muito difícil de endireitar”, afirmou o presidente da comissão política concelhia do PS, Bruno Aragão, em declarações ao Correio de Azeméis. “Depois de inaugurado à pressa no ano eleitoral foi imediatamente abandonado”, referiu, mencionando que o conjunto de empreitadas necessárias para resolver o problema “tem um custo superior ao valor que a Câmara Municipal pode reclamar de garantia que a lei prevê e ao conjunto de cauções”. Trata-se de “um processo que já teve até a devolução de fundos comunitários”, acrescentou, lembrando que “não tinha sequer fibra ótica” nem uma Estação de Tratamento de Águas Residuais (ETAR).
Nuno Pires (PSD) entende que “o executivo municipal já teve quatro anos para poder dinamizar aquilo de várias formas” e que o espaço está a ser “subaproveitado”. “É uma estrutura do município e ele só tem de salvaguardar o seu património e evitar que os prejuízos sejam maiores”, sublinhou, acusando o executivo de “lentidão” na forma como atua.
António Pinto Moreira (CDS-PP) concorda com Nuno Pires quanto à “inércia muito grande” do executivo. “Está um edifício feito e não há implementação, um concelho industrial com potencial económico e espírito empreendedor”, concretizou o também diretor executivo da Associação Empresarial do Concelho de Oliveira de Azeméis.
Questionado, o presidente da Câmara Municipal, Joaquim Jorge, remeteu para “conjunto de questões” que estão a tentar ultrapassar “para conseguir que aquele edifício cumpra a sua missão”, de forma a apoiar o tecido económico. “O edifício tem problemas sérios ao nível do isolamento, na estrutura metálica que o suporta e estamos a fazer intervenções, a contratar esses serviços para que essas fragilidades sejam resolvidas”, adiantou. A autarquia decidiu avançar com as obras ao abrigo da garantia e “se esse valor não chegar” para pagar esses trabalhos, “a Câmara terá de as suportar”, confirmou, avançando que estão a pensar lançar as obras a concurso já neste mês.

Ana Soares