Bombeiros sentem que estão a ser “desprezados”

Presidente António Gomes afirmou que há entidades que devem dinheiro à associação

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A Assembleia da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Oliveira de Azeméis prestou contas aos sócios na passada quinta-feira e chegou-se à conclusão de que 2020 vai ser um ano “difícil”. Sendo uma associação sem fins lucrativos, o presidente, António Gomes, garantiu que as verbas existentes são aplicadas no corpo de bombeiros para que este possa atuar de forma rápida e eficaz.

As contas de 2019 dos bombeiros oliveirenses, com um saldo positivo de 8.500 euros, foram apresentadas na passada quinta-feira, com o técnico de contas a avisar que este vai ser um ano “mais difícil”, uma vez que é expectável que os apoios particulares sejam “mais pequenos” e tendo em conta que os serviços “estão diminuídos”. “São considerações que fogem à prestação de contas, mas vamos acreditar que, com o apoio da comunidade, vamos conseguir ultrapassar este momento”, afirmou Paulo Neves. Os donativos do ano passado “caíram significativamente”, mas o técnico lembrou que, no total do ativo dos bens da associação, desde viaturas até ao restante equipamento, os valores ascendem os 3,5 milhões de euros. A entidade deve, ainda, 38 mil euros a fornecedores e tem um crédito de duas ambulâncias correspondente a 50 mil euros.
O presidente da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Oliveira de Azeméis esclareceu que, no que diz respeito às dívidas, há faturação que não foi paga à associação. “Continuamos com o problema do Hospital da Gaia. Já se fez tudo o que eles pediram, mas nem uma resposta há mais de três meses”, lamentou António Gomes, garantindo que nos próximos dias irá fazer mais uma tentativa junto do Conselho de Administração. “Temos encargos e o nosso pessoal, para sobreviver, necessita dos vencimentos para fazer face às despesas da vida”, apontou, acrescentando que, por uma questão de ética, não iria enumerar as restantes entidades que devem à associação. “Estamos a ser desprezados”, reforçou.
As contas, aprovadas por unanimidade em Assembleia, tiveram o parecer favorável do Conselho Fiscal e, desta forma, a verba de 8.500 euros será transferida para o fundo social, ou seja, para capital. “O pouco dinheiro que existe será sempre aplicado em equipamentos para dotar o corpo de bombeiros no que são as suas necessidades no dia a dia”, declarou António Gomes. O dirigente referiu ainda que, num futuro próximo, ter-se-á de pensar “seriamente” nas instalações antigas dos bombeiros, uma vez que fazem parte do seu património. “São de qualidade, mas, nesta altura, começam a entrar na fase da degradação. Não queremos que isso aconteça nem vamos deixar que aconteça”, assegurou o responsável.