A Câmara Municipal contrato a Filarmónica das Beiras para o concerto de Natal pelo valor de cinco mil euros. As seis bandas de música do concelho, ouvidas pelo Correio de Azeméis, são unânimes em considerar que a verba ajudaria muito as bandas e cinco afirmam que têm condições para fazer este concerto.

Numa análise rápida às contas da Câmara Municipal, é possível perceber que a autarquia investiu cinco mil euros na Orquestra Filarmonia das Beiras para o concerto de Natal. O Correio de Azeméis tentou perceber, junto das bandas do concelho, qual seria a possibilidade destas coletividades aceitarem o desafio de se envolverem num concerto de Natal proposto pelo município e se teriam capacidade para o fazer. Para a presidente da Banda de Música de Carregosa, a atribuição de cinco mil euros seria “uma ajuda fundamental”. “Os apoios camarários desde o início da pandemia foram de 200 euros. Com este valor conseguimos pagar um mês de luz, água e telefone. Não temos receitas, não fizemos nenhuma festa e não fizemos nenhuma atividade em que conseguíssemos obter ganhos financeiros”, contou Marlene Soares. “Os nossos impostos mantêm-se, assim como a nossa responsabilidade com o maestro. Somente com as quotas dos sócios temos conseguido ‘manter o barco’”, considerou.
A Banda Musical de Fajões também afirmou que aceitaria prontamente o desafio. “Nesta altura, não temos serviços nenhuns. Está tudo parado e cancelado”, comentou o presidente da coletividade, António Aguiar. “Há apenas a questão das condições em que faríamos o concerto…”, apontou. É exatamente esse pormenor que preocupa o presidente da Banda de Música de Loureiro que, apesar de reconhecer que o dinheiro ajudaria a coletividade, referiu que não estariam dispostos a fazê-lo. “Neste momento, não vamos ter condições para realizar um concerto, até porque a banda não vai ‘partida’. Não acredito que a Câmara Municipal tivesse um lugar para 74 músicos garantindo questões de segurança”, explicou.
A segurança está sempre em primeiro lugar e, desde que exista em boas doses, o presidente da Banda de Música de Pinheiro da Bemposta também aceitaria envolver a banda num concerto de Natal. “Não seria de todo impossível, dado que nós estamos a manter os nossos ensaios sectoriais com vista à preparação da próxima época”, declarou José Rodrigues. “Temos de estar preparados, porque se efetivamente houver contratos, nós teremos capacidade de resposta”, sublinhou.
Também foi com prontidão que a presidente da Banda de Música de Santiago de Riba-Ul respondeu: “Aceitaríamos e ajudaria muito a banda!”, enfatizou Ana Júlia. A Sociedade Filarmónica Cucujanense, na pessoa do presidente Martinho Gomes, também reagiu favoravelmente à ideia.
O Correio de Azeméis questionou a autarquia sobre o facto de não ter optado por uma banda do concelho para o evento de Natal, uma vez que um dos compromissos na campanha eleitoral de 2017 foi o de contratar os artistas e coletividades da terra para espetáculos em detrimento dos de fora. Até ao fecho desta edição, a redação não recebeu a resposta do município.

“Os cinco mil euros ajudariam a banda”
Banda de Música de Loureiro

“Aceitaríamos prontamente o desafio”
Banda Musical de Fajões

“Seria uma ajuda fundamental”
Banda de Música de Carregosa

“Aceitaríamos envolver a banda no concerto de Natal”
Banda de Música de Pinheiro da Bemposta

“Aceitaríamos e ajudaria muito a banda”
Banda de Música de Santiago de Riba-Ul

“Somos favoráveis à ideia de participarmos no concerto de Natal”
Sociedade Filarmónica Cucujanense

Bandas prontas a agarrar oportunidades
As seis bandas do concelho garantiram que têm condições de fazer um concerto de Natal mas, para algumas, tudo depende do local e das medidas de segurança para que tudo possa correr bem. “Faz parte dos nossos planos apresentar um concerto de Natal se a situação da pandemia o permitir”, afirmou a presidente da Banda de Música de Carregosa, Marlene Soares. “Não podemos parar, porque, além da qualidade musical, existe todo um sentimento de pertença que é muito importante manter”, explicou. Por tradição, a Banda Musical de Fajões faz sempre um concerto pelo Ano Novo e, apesar de tudo poder mudar num instante, planeia fazê-lo caso a situação nacional não sofra uma nova reviravolta. “Fomos convidados pela Antena 2 para fazer um concerto em direto no Teatro Nacional São João no Porto no dia 18 de fevereiro. Será um marco importante para a banda”, contou, orgulhoso, António Aguiar. “Mesmo com os condicionalismos existentes, as orquestras continuam a trabalhar. Se isto acontece nas bandas profissionais, porque é que não há de acontecer nas nossas?”, apontou. Já a Banda de Loureiro decidiu parar com os ensaios por “uma questão de segurança e consciência”. “Fizemos uma tentativa de regressar e agora, não podemos, de forma alguma, arriscar”, realçou o presidente, Manuel Terra. “Fizemos um concerto em outubro e, entretanto, parámos os ensaios porque não há condições para a banda ensaiar”, reforçou. Também o presidente da Sociedade Filarmónica Cucujanense tem um pensamento semelhante. “Teríamos capacidade para fazer um concerto, mas… Agora, moralmente, ninguém quer ser responsável pelo contágio”, considerou Martinho Gomes. Ana Júlia partilha da mesma opinião, uma vez que nunca se sabe o dia de amanhã. “Condições para fazer concertos temos mas, devido à pandemia, não sabemos se vamos ficar infetados ou não”, disse a presidente da Banda de Música de Santiago de Riba-Ul. O presidente da Banda de Música de Pinheiro da Bemposta, José Rodrigues, assegurou que a coletividade tem “capacidade” para fazer estes e ventos culturais.