A vacinação dos políticos

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Devem ser prioritários os políticos que exercem cargos públicos no plano de vacinação contra o vírus pandémico? A questão divide a opinião pública. Até que ponto devem estar à frente de profissionais de saúde, de bombeiros e muitos outros na linha da frente no combate ao temível vírus.
Podemos (devemos) debater se a saúde e a vida de titular de cargo de soberania é mais importante que um médico ou qualquer outro profissional necessário ao combate à Covid-19.
Outra questão: deve debater o nível de risco, que uns e outros correm. Aqueles que trabalham com infetados todos os dias correm mais riscos do que um ministro bem instalado no Terreiro do Paço. Parece óbvio. Por acharem assim, muitos são os políticos que se têm manifestado contra e estão a anunciar a recusa de serem vacinados prioritariamente. Parabéns a estes.
Ainda há outra questão que deve estar no centro da discussão. Cada vez mais portugueses se mostram desagrados perante os privilégios dos políticos. Ajudará na recuperação da (má) imagem da classe política estes não aceitarem o privilégio.
Lá diz o ditado popular que o exemplo deve vir de cima. São já cada vez mais eleitores a irem às urnas para votar em candidatos antissistema. Mais do que preocupar, é preciso agir. Da parte de quem tem o dever de fazer alguma coisa para inverter esta tendência. A classe política deve recusar privilégios. Estarão a defender a democracia e o respeito que os cidadãos devem ter para com as instituições.

* jornalista, presidente
da Associação Nacional
da Imprensa regional