Eduardo Costa *

“Estou muito triste. É um país de ladrões.”
O desabafo de uma mulher de meia idade, servente de um café, diz bem do descrédito do ‘cidadão comum’.
Agora foram mais alguns os casos milionários de supostos crimes cometidos. ‘Ontem’ foram outros. ‘Anteontem’ mais alguns. Eles são o esquema para o não pagamento de impostos que haveria de apoiar o desenvolvimento de Trás-Os-Montes (EDP), os escandalosos empréstimos do ex-BES e da CGD, o desmantelar de um património empresarial que era o nosso orgulho, para servir interesses (Portugal Telecom). E tantos, tantos outros.
A revolta dos cidadãos não tem só a ver com os casos do presente e do passado. A desilusão vive na certeza que este nosso frágil país vai continuar a ser roubado. Não há nada que nos garanta que vão acabar os milionários desvios para os bolsos de alguns. Sejam eles públicos ou privados. Ou, melhor, uns confundem-se com os outros. Quando vêm a público os casos, a teia envolve uns e outros. Dá a ideia que todos vão ao pote.
Isto acontece enquanto o povo sente a falta de resposta ao bem primeiro, a saúde. Com intermináveis listas de espera. Muitos morrem na espera. O povo sente o peso dos impostos. O elevado custo de bens essenciais, como a luz, a água e o gás. O povo limpa o suor para ter pão para alimentar os seus filhos, para garantir a escola, a universidade. O povo sofre para ter a esperança de melhor futuro para os filhos. Ao mesmo tempo que cresce a dúvida de que país lhes vamos deixar. Um país com a ‘tradição’ de ser roubado por um pequeno punhado de ‘donos disto tudo’? Triste sina a nossa.

* jornalista, presidente da Associação Nacional da Imprensa Regional