A festa sem regras

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Eduardo Costa *

A receita do turismo vai ser melhor neste verão? Não completamente, mas há motivos para otimismo. Portugal é o único país do sul da Europa que o governo de Boris Johnson permite que os ingleses passem férias. A Madeira jubila. O Algarve esfrega as mãos. O resto do país turístico sorri.
Para termos uma ideia mais próxima da importância desta decisão, em 2019, no ano anterior à crise pandémica, dos 24,6 milhões de turistas não residentes, 15,4 por cento foram britânicos. Cerca de 3,8 milhões! Este ano, a manter-se Portugal como único destino de sol para os britânicos, o número de ingleses a fazer férias em Portugal pode disparar. Depois de um ano de dor, a hotelaria pode sair animada deste verão! Bem o merece!
O turismo é o nosso petróleo. Temos que saber cuidar deste ouro. Também, por isso, nos incertos tempos de pandemia, dominar a Covid-19 tem que ser uma prioridade para todos!
Também por esta razão, entre outras de maior importância, como a nossa vida e a nossa saúde, não se consegue compreender a (não) decisão de quem mais ordena, no caso da euforia dos sportinguistas.
A festa dos adeptos era previsível e compreensível. Nada compreensível foi a atitude das autoridades. Que bem sabiam o que ia acontecer. Palco, DJs, ecrã gigante, autocarro a circular. Como se o país não estivesse ainda obrigado a rigorosas regras.
Acho que os sportinguistas compreenderiam perfeitamente que houvesse regras para a festa. Não cuidaram de criar soluções. E a festa aconteceu, sem regras.
A exemplo de outras coisas graves, a culpa vai morrer solteira.
* jornalista, presidente da Associação Nacional da Imprensa Regional