75 bombeiros vacinados contra a Covid-19

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Cinquenta por cento dos bombeiros das corporações de Oliveira de Azeméis e de Fajões já recebeu a primeira dose da vacina contra a Covid-19. O processo de vacinação arrancou no passado dia 10, mas os responsáveis de ambas as associações defendem que os bombeiros deviam ter sido dos primeiros a ser vacinados em Portugal.
Ana Catelas
A vacinação contra a Covid-19 já começou a ser ministrada aos bombeiros voluntários de todo o país. Dezoito elementos, entre voluntários e profissionais, da corporação de Oliveira de Azeméis, foram pioneiros nesta toma que decorreu no Centro de Saúde de São João da Madeira, juntamente com os seus congéneres de Vale de Cambra e de São João, no passado dia 10, um dia antes do arranque oficial da vacinação aos bombeiros. Até ao final da semana passada foram vacinados 45 bombeiros da associação oliveirense, correspondendo, tal como o previsto, a metade da sua corporação efetiva. Foram também vacinados 30 elementos da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Fajões, sendo que 15 foram vacinados a 11 de fevereiro e os restantes na manhã da passada sexta-feira. Embora estejam integrados ainda na primeira fase da vacinação, tanto o comandante dos bombeiros de Oliveira de Azeméis como o presidente da sua congénere de Fajões defendem que os ‘soldados da paz’ deviam de ter sido dos primeiros a receber a vacina mal ela começou a ser ministrada no nosso país. “Na linha da frente estão sempre os bombeiros, que são os responsáveis por 80 ou 90 por cento do socorro em Portugal”, lembrou o comandante António Justino, frisando que “o doente quando chega ao hospital já esteve em contacto com os bombeiros”. O responsável pela corporação de Oliveira de Azeméis lamenta, portanto, que o início da vacinação aos bombeiros se tenha arrastado no tempo. “Estamos com um mês e meio de atraso que podiam ter evitado situações de contágio que acontecem nas corporações”, salientou. Também para o presidente dos Bombeiros de Fajões a decisão peca por tardia. “O cenário ideal era que os bombeiros tivessem sido vacinados logo no início, mas entendo que tenham que ser priorizados alguns grupos”, começou por referir Ricardo Fernandes, acrescentando que, sendo no final da primeira fase, esperava que fosse “numa maior expressão e não apenas 50 por cento” do corpo ativo. Além disto, o presidente considera mesmo “constrangedor” ter de escolher quem vai ser vacinado no primeiro grupo dos 50 por cento do corpo ativo dos bombeiros e quem fica para ser vacinado posteriormente.

Ricardo Fernandes apela à população
“Não omitam qualquer tipo de sintomas”
O presidente dos Bombeiros de Fajões deixou um apelo à população na hora de pedir socorro aos bombeiros: “Não omitam qualquer tipo de sintomas nos pedidos de ajuda”, pediu Ricardo Fernandes, referindo que “por vergonha ou por qualquer tipo de desprezo que possam sentir” os doentes acabam por não revelar os sintomas ou até mesmo que estão contaminados com o novo coronavírus. “Nos pedidos de socorro sejam o mais verdadeiros possíveis quanto aos sintomas que têm”, reforçou o dirigente, garantindo que os doentes são, na mesma, transportados à unidade de saúde. Contudo, sabendo dos sintomas do paciente que vão transportar, explicou Ricardo Fernandes, “os bombeiros vão mais protegidos e precavidos”.